Archive for December, 2007

Dec 31 2007

Aprendi que

Published by Nigel Goodman under textos

Hoje em dia eu estudo direito. Estou no sexto período e bem contente com o curso, mas nem sempre foi assim. Eu já larguei outras três faculdades antes de me decidir por direito, sem falar no período que eu fiz curso preparatório para entrar no exercito, mas felizmente não consegui passar na prova. Tudo isso, mais ensino médio e fundamental, que eu espero que todos os meus leitores já tenham completado, valendo supletivo, me ensinaram muitas coisas, que eu resolvi dividir com vocês.

No prezinho:

  • Aprendi que se cagar em publico é vergonhoso e prometi nunca repetir.
  • Aprendi que um mártir é quem pinta a cara com canetinha pra divertir os colegas, e leva esporro da diretora.
  • Aprendi que toda criança mente pra caralho, e que você só descobre isso mais tarde.
  • Aprendi que aquele garoto chato, que só brincava com as meninas, era na verdade o mais esperto.

No primeiro grau:

  • Aprendi que se cagar é mais vergonhoso ainda.
  • Aprendi que tudo que você aprende no primeiro grau e inútil, o que não é, você aprende de novo.
  • Aprendi que podem parecer ridículas apresentações pros pais, mas ainda mais ridículo é quem não decorou coreografia nenhuma.
  • Confirmei que criança mente pra caralho.

No segundo grau:

  • Aprendi que se você acha que vai se cagar é melhor ficar em casa.
  • Aprendi que tudo que você aprendeu era inútil, e que tudo que você aprender também vai ser.
  • Aprendi a matar aula.
  • Aprendi a colar.
  • … Não aprendi muita coisa realmente.
  • Aprendi que aquele chato que só brincava com garotas e tinha namorada aos 10 anos de idade virou veado.

No cursinho pré-militar:

  • Aprendi que o exercito do futuro vai ser formado por pessoas completamente retardadas. Escamoso, Barrigudinho e Bob Esponja são o apelido de futuros lideres militares.
  • Aprendi que matemática do segundo grau é considerado esporte radical pra aspirante a milico.
  • Aprendi que vagabundo não tem vez nas forças armadas.

Na faculdade de comunicação:

  • Aprendi que tem gente que não sabe ler e escrever, e escolhe jornalismo no vestibular.
  • Aprendi que no estagio as pessoas precisam que você faça urgentemente coisas inúteis.
  • Aprendi que criatividade não se aprende.

Na faculdade de cinema:

  • Aprendi que não gosto de cinema.
  • Aprendi que os próximos cineastas são deprimentes e o cinema nacional ta na merda.

Na faculdade de Belas Artes:

  • Aprendi que hobbie só pode ser levado a sério até certo ponto.
  • Aprendi que me iludiram no prezinho me dizendo que eu sabia pintar.
  • Aprendi onde aqueles caras chatos que só brincavam com as meninas vão parar.

Na faculdade de direito:

  • Aprendi que as pessoas ficam bravas e buscam os seus direitos… Somente quando estão erradas.
  • Aprendi a escrever e criei um blog.

Não aprendi a dizer adeus (D), mas tenho que aceitar (E7)…

Feliz ano novo.

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Dec 28 2007

Rinhas

Published by Nigel Goodman under textos

Rinha de bicho é coisa feia. É cruel. É desrespeito ao direito dos animais. O homem não tem o direito de se divertir com um animal. Animal tem vida, tem alma. Animal sente dor, sente medo. Coitados dos animaizinhos. Quem faz mal a um animal deveria ser preso. Os animais têm que ganhar sua liberdade.

“É uma coisa até bonita de se pensar”, eu disse me preparando para virar o ultimo gole de leite da minha caneca. Pensei a fundo sobre os direitos dos animais. Eles merecem. Não só os cachorros, ou os gatos, ou os animais silvestres, ou também os animais em extinção, mas o maior animal de todos, o homem.

É engraçado ver um homem defendendo o direito de um animal à liberdade ameaçando prender outro homem. “Maluco se você bater nesse cachorro eu vou te arrebentar”. Porque o homem quer tanto impedir a rinha entre outros animais se ama tanto a rinha de homens? Ama tanto, mas tanto, que por duas vezes conseguiu organizar uma rinha mundial. Aparentemente estão tentando organizar uma terceira, porque a água vai acabar. Ninguém se preocupa com a água em si, se preocupam com as rinhas de galos de mais para se preocupar com a água do planeta, e enquanto isso milhões de homens e mulheres são treinados para se matar, numa espetacular rinha humana, com apostas corporativas e tudo que rinhas têm direitos.

Como alguém pode dizer que rinha é errado e transformar o pikachu em ídolo? Como alguém pode dizer que rinha é desumana, se os próprios humanos criaram esportes como boxe, jiu-jitsu, e vale-tudo?

No fim, um humano agride o outro por tratar um animal como trataria o próximo. Tudo isso me levando a concluir, junto com o meu leite, que se cada um tratasse seu igual como trata um cachorro o mundo seria um lugar muito melhor.

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Dec 27 2007

Hábitos Infantis

Published by Nigel Goodman under textos

O tempo passa, as pessoas crescem, mas crescer não é só ficar mais velho. Crescer está ligado a muitas mudanças de mentalidade também. Isso tudo pra dizer que depois de certa idade algumas práticas simplesmente não são mais aceitas. Vou exemplificar:

Você recebe um amigo na sua casa, oferece um copo d´água e ele responde:

- Não ta zoada não, né?

Acho que depois dos 10 anos ninguém mais pode perguntar isso, até porque, depois dos 10 anos ninguém mais acha graça em zoar a comida dos outros. Se achar se mata, com força.

Você está em um casamento, o garçom passa com a bandeja e oferece uma taça para o seu amigo que responde:

- Tem álcool?

Dica esperta: Depois dos 18 anos não é comum que os garçons continuem servindo suco de uva no lugar de vinho.

Você apresenta sua avó para seu amigo, que então pergunta para a velha:

- Quemtimeteu, minha senhora?

Essa brincadeira é um tanto quanto triste em qualquer idade, já que “quem time teu”, por mais rápido que você falar, não se confunde com “qual é o seu time”. É uma brincadeira muito sem propósito.

Seu amigo está doente a mais de uma semana, você pergunta por que ele não foi ao médico e ele responde:

- Estou esperando a minha mãe marcar.

Se mata, com força. Se o seu médico ainda for um pediatra se mata com mais força ainda.

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Dec 25 2007

Repórter bêbado

Published by Nigel Goodman under Repórter Bêbado

Ronald Rios lê as notícias enquanto Nigel Goodman faz alguns comentários, completamente bêbado.

1h de gravação editada para fazer estes quase 20min de audio, que não chegam a ser as melhores partes, mas as mais inteligiveis da conversa.

 
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Dec 22 2007

O empresário

Published by Nigel Goodman under backstage

Faz algum tempo eu fui conhecer o dono de um bar que queria colocar só shows de humor como entretenimento. É uma idéia que quando você escuta você sabe que é uma idéia legal, alguma coisa como os clubes de comédia americanos. Eu não tinha falado com o cara nem por telefone, mas quem já o conhecia só tinha elogios pro cara. Me falaram que ele também queria ajudar os humoristas a se apresentar fora do rio de janeiro, usando os contatos dele pra conseguir agendar shows por todo o Brasil. Na minha cabeça eu estava indo conhecer um George Shapiro.

Era a noite de estréia do lugar e ia rolar um show desse cara.

A coisa começou a desmoronar na minha cabeça quando eu coloquei um pé lá dentro. O lugar era escroto. Era tanta merda que não tem como falar de todas, mas só pra dar uma idéia: você entrava e dava de cara com uma pia na parede oposta. Somando um balcão você tinha o andar de baixo. Era tão escroto que uma vez algumas pessoas voltaram da porta. Também não tinha nada pra comer lá além de uma mesa de frios, ou seja, presunto e queijo enrolado. Um estabelecimento 5 estrelas.

O show do cara por sua vez combinava perfeitamente com o lugar. Adivinha só, era muito escroto também. Era uma mistura de piadas velhas e sem graça com constrangimento coletivo e uma pitada de vergonha alheia. Primeiro ele me obrigou a subir no palco e dublar uma música sertaneja que fala “quer, quer, quer, quer casar comigo?” como se eu estivesse pedindo a minha namorada em casamento. Insatisfeito por não ter conseguido irritar a minha namorada o suficiente ele resolveu fazer com que eu e um outro comediante carregássemos nossas namoradas em uma espécie de corrida. É claro que nada disso chega perto do que aconteceu depois. No ápice do show o cara (que de agora em diante será chamado de imbecil) some, entra um hino gay, e ele volta pulando, soltando a franga e interagindo com a platéia. Na parte interagindo com a platéia leia-se: fazendo movimentos pélvicos a centímetros do rosto do Ronald em uma simulação de estupro oral. Como o Ronald mesmo falou aquilo lá já tinha extrapolado qualquer limite aceitável em humor com homossexualismo e era apenas homossexualismo agora, ele e alguns amigos dele se apalpando no palco.

Depois do show eu nem me surpreendi, o cara era escroto por conta própria também. O lugar e o show só refletiam a personalidade dele. Sério. Uma das primeiras coisas que ele sugeriu que a gente poderia adicionar para melhorar o nosso show de stand-up foi colocar o Ronald de joelhos em cima de um tênis para fingir que era um anão. Tirando o fato de que isso simplesmente foge completamente do conceito de stand-up comedy, acho que nada no mundo ficaria melhor adicionando um quadro com alguém ajoelhado se fingindo de anão.

Por um pouco mais de 1 mês o ponto cômicos se apresentou lá e eu tive a oportunidade de conviver com esse gênio do humor que aquele imbecil era. Acho que não houve nenhum dia que ele não tivesse feito alguma coisa que fosse digna de ser relembrada em uma roda de amigos. Uma vez ele escovou os dentes na pia da entrada, com a casa aberta e as pessoas conversando. Ele falava com quem estava se apresentando, interrompendo o texto, atrapalhava as piadas. Ele atrapalhava tanto que ele chegou até a desligar todas as luzes durante uma das nossas apresentações.

Não consigo acreditar que alguém pode ser tão escroto assim. Não acredito que ele era um imbecil, ninguém pode ser tão retardado, mas sim um comediante genial que sabia exatamente o que estava fazendo. Ele estava tentando confundir a todos, o público, os comediantes, os funcionários, todos. Eu sinceramente acredito que não conheci o George Shapiro, mas sim o Andy Kaufman.

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Dec 19 2007

Cabeleireiros

Published by Nigel Goodman under textos

Cortar o cabelo é uma das decisões mais delicadas de se tomar. O Teu cabelo está ruim, sem corte, mas nada está tão ruim que não pode piorar. Você está trocando o desarrumado conhecido pelo escroto potencial.

Eu reconheço que não é sempre que o cabeleireiro erra. Normalmente a gente só não está acostumado com o corte ainda. Não é sempre, mas quando eles erram ai ferrou, é o fim do mundo. E se o problema foi que o cabeleireiro cortou de mais não tem jeito, porque se ele corta errado tudo bem, você corta de novo em outro lugar, mas se ele corta muito tem que esperar o cabelo crescer, 1 mês escroto.

Eu até entendo quem corta o cabelo em casa. Se for pra coisa ficar uma droga pelo menos você não está pagando pra ser zoado. Nem nas pegadinhas do Ivo Holanda eles cobravam pra sacanear alguém, mas nos salões por ai eles cobram, e cobram caro. Quando eu saio de um lugar desses eu tenho a mesma sensação que eu teria se eu enfiasse a cabeça no cortador de grama e ao mesmo tempo tacasse fogo na minha carteira.

Por causa disso tudo, quando você encontra um cara que sabe cortar bem o teu cabelo, não o deixe escapar, você tem que fazer de tudo pra agradar ele. Você precisa muito que ele goste de cortar o teu cabelo. Não pode ser só mais um. O teu cabelo tem que ser especial pra ele. Se ele quiser fazer uma boiolagem na tua cabeça e depois tirar uma foto para o book dele você deixa. Se ele quer que você use xampuzinho especial você usa o xampuzinho.

Só tem uma coisa pior que trair sua mulher: trair seu cabeleireiro. E o pior é que eles sempre descobrem.

- você cortou o seu cabelo!

- poxa, você estava de folga, eu precisava cortar e…

- você me traiu

- que isso. Só você corta do jeito que eu gosto. Se não fosse por você eu ainda seria um descabelado. Você me fez chegar onde eu estou

- ele cortava melhor que eu?

- não era melhor… Era diferente!

Depois dessa meu cabeleireiro resolveu ser diferente também. Passei 3 meses usando um boné

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Dec 17 2007

Coluna no Faz Sentido

Published by Nigel Goodman under outros lugares

Toda segunda feira eu escrevo uma coluna no Faz Sentido chamada Ask Dr.NO, além de uma tirinha. Coisa de primeira. O texto dessa semana fala sobre enterro de anões e eu aposto que você nunca viu um.

Quem quiser dar uma olhada é só entrar nos links acima ou ir direto para o meu arquivo no site

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Dec 17 2007

The Fool

Published by Nigel Goodman under Geral

Primeiro post. Eu estava realmente precisando de um blog.

Apesar de achar que eu já faço bastante coisa ultimamente, normalmente elas ficam espalhadas, logo a idéia deste blog é juntar tudo que leva o meu nome em um lugar só, colocando links ou criando material inédito.

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