Anderson Leitão e a telefonista
Anderson Leitão nunca teve uma vida social muito ativa. Desde o colégio ele nunca teve muitos amigos. Não que ele fosse um cara excluído. Todos sempre gostaram muito dele. As pessoas se referem a Leitão como um sujeito simpático, um boa praça, sempre pronto a ajudar. Ele é convidado a festas e happy hours. Ele até costuma ir e ficar um pouco, mas não chega a se relacionar com ninguém de forma pessoal. Essa é a chave para a solidão de Anderson Leitão. Ele não se relaciona pessoalmente com as pessoas. Não tem conversas profundas, muito menos confidencia problemas. Anderson Leitão é como uma tartaruga: Um rostinho amigável saindo pela fresta de um casco bem duro.
O verdadeiro Anderson Leitão é um sujeito pedante, arrogante e impaciente. Ele não se relaciona com ninguém porque não se interessa de fato por aquilo que os outros podem ter a dizer. Mas ele não consegue ser grosso com ninguém. Nem com a mais fútil secretaria. Nem com Rosemery, a telefonista.
Certo dia Rosemary estava muito triste e chamou Leitão para conversar. Ela disse estar deprimida. Disse que sua vida estava um tédio, que nada dava certo, que seu namorado, 15 anos mais jovem, a havia largado, que ela havia perdido uma liquidação, que sua vaga de estacionamento era a pior de toda a redação e inúmeras outras futilidades. Anderson Leitão se chateou e resolveu incentivar o suicídio da colega:
- Você sabe que, querendo, você pode acabar com todo esse sofrimento.
Era só isso que Rosemery precisava ouvir para finalmente tomar coragem e pedir um aumento, que ela conseguiu. Deu entrada no financiamento de uma casa próxima ao trabalho e nunca mais precisou se preocupar com a vaga na garagem. Passou a caminhar para o trabalho todos os dias e foi assim que conheceu, em uma esquina, um sujeitinho chamado Penrod, por quem se apaixonou.
A vida de Rosemery mudou e ela ficou eternamente grata a Anderson Leitão.






Bruno
Com isso eu só posso dizer que Anderson Leitão é o cara!
Ele podia ganhar dinheiro dando conselhos errados que acabam virando certos.
Biro
Caralho, preciso conhecer esse cara XD
Muito foda essas histórias
Paulo Torres
Penrod, o faxineiro?
Nigel Goodman
Paulo Torres é sagaz.
Lucas
Moral valiosa: cometer crimes não-violentos (como incitação ao suicídio) pode ajudar as vítimas. Hei-de me lembrar disso.
P. S. 1: eu ia fazer um post scriptum acusando-o de plágio acidental subconsciente, mas o Paulo Torres sagaz me fez sacar a referência. Ficarei quietinho para não estragá-la. Brilhante, by the way.
P. S. 2: o a:b pode ter o Cassidy, mas o NGS tem um enorme mistério também! Qual é a do banner do carinha — supostamente você — na rocha esperando a onda chegar? Agora que eu mudei a resolução da tela, vi de novo o carinha e o assunto ressurgiu na minha cabeça.
Nigel Goodman
Achei que você fosse ser o primeiro a sacar essa.
Vou esconder uns easter eggs no bog para divertir o pessoal. Na realidade eu já fiz isso. =)
O carinha é referência à carta 0 do tarot. The Fool. O primeiro post do blog tem o mesmo título. A carta simboliza o começo de uma jornada entre outras coisas. A idéia era ir mudando para as outras, mas desisti disso. Tinha chegado até a desenhar o que seria o banner representando a próxima carta.
Lucas
Aaaah, tarô. Uau. Viagem. Adoro respostas improváveis. Depois dessa é óbvio que vou ao primeiro post.
Pode me explicar no Orkut o que são easter eggs? (Se você acha que explicar é traduzir, eu vou ficar muito p*to.)
@Paulo Torres
Hmmm, pode ser.
Bernardo Zirpoli
Eu nunca canso de dizer que Anderson Leitão é foda.