Ano novo
Foi idéia de um pai de família comemorar o ano novo. Ele juntou toda a sua família em um velho Gurgel e dirigiu por 7 horas até o litoral capixaba. A viagem foi um verdadeiro inferno. As crianças gritaram o tempo todo, Armandinho quase perdeu um olho, sua mulher grávida parava de meia em meia hora para urinar. Foi um inferno mesmo.
A família chegou na praia e logo as crianças saíram correndo e se espalharam. A vó Célia correu atrás das mais novas para que elas não se afogassem. Prima Júlia se agarrou com uma garrafa de pinga e desapareceu. Parmezão e Chocolate, os primos funkeiros, ficaram junto do carro que agora tocava o pancadão no último volume. Armandinho perdeu um olho.
O pai de família por alguns momentos chegara a hesitar, mas agora estava confiante de que esta seria a melhor viagem em família da sua vida. Pegou o espumante e foi até um quiosque perguntar que horas eram. Eram 6 horas. Houve um erro de calculo em algum momento, isto é certo, mas 6 horas passam rápido e logo seria meia noite.
7:20 as crianças começaram a enjoar da praia. 5 crianças já tinham se afogado e o resto estava com medo de entrar no mar. Vó Célia já não tinha mais certeza de quantos netos tinha e não estranhou falta de alguns. O importante é que as crianças sobreviventes queriam voltar e Armandinho realmente precisava ver um médico, mas o pai de família disse que não. Ele disse que todos precisavam esperar o ano novo, que era um momento mágico de confraternização, e que ninguém sairia de lá antes de meia noite.
Quando faltavam poucos segundos para a virada o pai começou uma contagem regressiva animado. Dez… Nove… Oito…
- O que vai acontecer quando chegar em zero?
- A gente grita e se abraça minha filha.
- Por que?
- Porque é ano novo.
- Mas o que tem de especial ser ano novo?
- Como assim o que tem de especial?
- É só uma meia noite qualquer.
- É ano novo! Eu vou estourar esse espumante aqui e tua mãe vai gritar um “ê” bem animado, você vai ver.
- Só isso?
- É. O que mais você queria?
- A prima tem razão Tio Beto – disse Parmezão. – O senhor criou a maior expectativa em todos.
- Eu mesmo estava achando que você ia se suicidar meia noite – completou Sandra, a mulher grávida.
- É mesmo pai. Nós estamos esperando uma grande surpresa – disse Armandinho, o menino caolho.
- Pai, que horas são?
- Puta que pariu! Meia noite e 5.
- Está vendo só. Já é ano novo e você nem percebeu. Que merda de comemoração pai. Nada de especial nessa porcaria de ano novo.
- No meu relógio ainda faltam 3 minutos – disse Chocolate.
- No meu faltam 7 – disse Sandra.
- Eu acertei o meu relógio pelo relógio do posto de gasolina gente.
- Mas o relógio do posto podia estar errado – interrompeu Armandinho.
- Será? Mas como vamos saber quando for ano novo?
- Pra que você quer saber essa estupidez? Não tem nada pra comemorar.
Nesse exato momento Prima Júlia, que tentava operar o bujão de gás para aquecer um lombo de porco na farofa, explodiu. Por um momento houve um silêncio mágico e todas as crianças sorriram. A felicidade tomou conta de todos, pois eles sabiam que era ano novo. O pai estourou o espumante e a família se abraçou.
- Eu te amo pai – disse Armandinho.
- Eu não sou teu pai.
Armandinho chorou com o olho que lhe restava.



viagem* auhauhauhauah
Coitada da prima Júlia! hehehe
Chow chow
trágico!!!
muito boom!
O que importa é a confraternização!
hahahahaha Isso é o verdadeiro hiperrealismo, cara! Eu acho.
E eu sinto que Armandinho merecia perder um olho mesmo.
Quando a internet na minha casa retornar ao normal, e talvez eu precise armar um barraco no telefone, vai rolar uma continuação para a história do Armandinho.
Eu passei por perrengue semelhante muito recentemente. Meu problema era fonte queimada.
Imagino que o seu seja pior. Imagino que seja algo de Internet. Imagino que um atendente vá sofrer num futuro próximo.
Não esperava que a vida de Armadinho fosse continuar.
Ia ser muito cruel se eu deixasse o menino sem pai.
genial. agora sim o ano vai valer a pena.