A busca por um pai pode ser uma aventura e tanto. Não é fácil, pode levar uma vida. Nada garante, também, que quando a busca terminar você terá aquilo que esperava. Muitas vezes seu pai é realmente um maucaráter e fugiu de casa pra foder com as vagabundas da rua. Muitas vezes é isso mesmo. Mas Armandinho sabia que seu caso era diferente. Sua verdade seria outra. Armandinho iria até o outro lado do mundo se fosse preciso encontrar seu pai, um pirata médico, que recolocará seu olho e lhe amará de verdade. Armandinho não vai desistir.
Se seu pai é um pirata Armandinho vai precisar ir para o mar, mas Armandinho não entende nada de barcos e piratas e navegação, nada. Armandinho vaga perdido como um barquinho de papel navegando na imensidão do universo esperando pela brisa que lhe sopre em direção ao seu destino. Se pelo menos Armandinho conhecesse um pirata tudo seria mais fácil.
Os anos que passou na rua comendo a comida do lixo e bebendo a água das chuvas estavam se voltando contra Armandinho. Seriam alucinações? Sua mente estaria lhe pregando peças? Provavelmente sim. Fato é que Armandinho estava vendo o espírito de uma mulher lhe acenando de longe. Armandinho correu até a mulher, que na realidade não era um espírito ou uma alucinação. Na realidade ela não estava acenando para Armandinho, ela estava acenando para o homem que vinha atrás dele, Anderson Leitão, mas armandinho não sabia disso.
- Você abanou seu braço para mim espírito maligno, diga suas palavras.
- Oi, eu não estava abanando para você…
- Maldição mulher! Eu vi você abanando para mim. Que diabos de jogos mentais são estes com os quais você me atenta?
- Eu realmente estava abanando para o meu amigo, logo atrás de você.
- Ela estava abanando para mim, realmente – disse Anderson Leitão, que estava visivelmente chateado com o contratempo.
- Olha rapaz. Você pode amaldiçoar sua vida o quanto você quiser, mas depois, agora eu vou tirar as palavras da boca desta aparição maligna.
- Você percebe que está delirando um pouco? – Anderson Leitão por um momento sentiu como se estivesse trabalhando.
- Você também estaria se tivesse perdido um pai.
- Você perdeu seu pai?
- Passei a vida inteira procurando por ele.
- Você sabe o que aconteceu com ele?
- Foi atraído ao inferno por este espírito maligno, que agora tenta me seduzir para as profundezas também.
A mulher não chegou a dizer nada. A maioria das pessoas não sabe como reagir quando algum mendigo lhe confunde com uma entidade sobrenatural, e por tanto não reage de forma alguma. A pessoa normalmente fica parada, com a cara inexpressiva, esperando um desfecho e tentando se lembrar de tudo para contar para um amigo pelo celular mais tarde. A mulher estava exatamente assim quando levou um soco na cara de Armandinho.
- Puta que me pariu. – Anderson Leitão não podia acreditar.
- Não sabia que ela era mãe.
- Ela não… Deixa pra lá.
- Você é o filho de uma aparição. Você é meio demônio. – Armandinho estava com um olhar ameaçador de mendigo louco. – Onde está o meu pai?
- Olha, eu não sei quem é o seu pai.
- Meu pai é um pirata médico.
- O único pirata que eu conheço é bacharel em letras.
- Você me apresentaria ele.
- Cara, você acabou de dar um soco na minha amiga.
Armandinho chutou a cabeça da mulher caída
- Eu vejo que você se preocupa com esse espírito maligno. Me leve ao meu pai que eu lhe entregarei esta alma perdida. Me dê meu pai que eu lhe darei sua mãe.
- Eu estou chamando a polícia.
Armandinho não pode ser preso. Não agora. Não tão perto de seu pai.
Armandinho socou Anderson Leitão na costela. O celular de Leitão cai no chão. Leitão se curvou por causa da dor. Armandinho socou mais uma vez. E outra. Ele emendava socos de esquerda com cruzados de direita. Leitão cambaleou. Ele quase caiu para trás, mas se curvou rapidamente para frente para recuperar o equilíbrio. Se curvou para frente na mesma hora em que Armandinho dava um gancho de esquerda. Leitão foi ao chão. Armandinho se abaixou e agarrou Leitão pelos cabelos. Leitão era puxado e tentava se levantar como podia. Armandinho deixou Leitão de pé. Leitão estava confuso, tonto. Havia desmaiado por alguns segundos quando caiu. Armandinho tomou a distância de uma rasteira e se preparou para o fatality. Armandinho deu um impulso e socou a cara de Leitão o mais forte que pode. Leitão voou para trás e caiu direto com a cabeça no chão. O impacto foi fatal. Anderson Leitão estava morto.
Armandinho não poderia desistir. Ele roubou a carteira de Leitão e correu.


{ 11 } Comments
Putz, cara. Vc matou o Anderson Leitão! Como vc pode??
Pelo menos vai ter pirata? =P
Qual é a dessa fixação por piratas?
O último entrevistado de Anderson Leitão era um pirata, mas não pode ser o pai de Armandinho, já que obviamente não era médico e sim um bacharel em letras. agora, com Anderson Leitão morto, as chances de Armandinho de encontrar um pirata que o leve a seu pai diminuiram. Como Armandinho encontrará seu pai? Não perca nosso próximo episódio.
Guilherme Toscano resumiu perfeitamente.
E sim, vão haver piratas! =)
piratas estão na moda, por isso a fixação. Se não estiverem na moda deveriam estar. realmente deveriam estar na moda.
e vc cogitou deixar a gente sem essa pérola?… sensacional…
Mas será que a continuação da história justifica a morte de Anderson Leitão? heim, heim?
Nigel, vai haver piratas, por gentlieza.
Eu ri só de ler “Anderson Leitão”. E, como dizia o Rogério Cardoso na Escolinha: morreu? Leitãozinho morreeeeeu?
Um mendigo me confundiu com uma entidade sobrenatural uma vez. Um elfo nórdico nível 46. OK, isso é mentira, eu estou tentando me enturmar.
Cara, tou atônito aqui. Vou ler o próximo e já comento te xingando.
ta ficando legal… quero ver como vai terminar..
ta muito bom
Mas cara, vc matou o Anderson Leitão D:
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