Armandinho
Armandinho, jovem sem olho e sem pai, vive a vida dura de quem perde o olho e o pai e se vê obrigado a procurar pelos dois. Armandinho deve procurar pelo seu olho e por seu pai pelas ruas deste país enorme, quem sabe do mundo. Armandinho tem uma tarefa difícil pela sua frente. Não chore Armandinho. Armandinho tem a força de vontade do peixe salmão que nada contra a correnteza, e depois nada a favor dela de novo.
Armandinho não precisou ir muito longe para achar seu olho, esta é a realidade. Diferente de seu pai, que armadinho nunca conheceu, seu olho sempre ficou preso em sua cabeça e, mais uma vez diferente de seu pai, que já estava desaparecido a pelo menos 13 anos, idade de Armandinho, seu olho fora arrancado há pouco tempo. Seu olho estava caído junto ao seu pé esquerdo. Armandinho recolheu seu olho do chão e o enfiou de volta na cara. O olho não funcionou. Armandinho então o colocou no bolso e pensou que se seu pai fosse médico ele provavelmente poderia recolocar seu olho de uma forma que este funcionasse novamente. “Será que papai é médico?” Pensou armandinho.
Dias se passaram, seguidos por anos. Armandinho já era um adulto. Ele havia largado a escola para procurar o seu pai e agora vivia a vida de um andarilho. Vivia da boa vontade dos outros.
Armandinho fugiu de casa criança e passou alguns meses vagando sem rumo e sem um plano. Assim ele não teria qualquer êxito. Passou suas primeiras dificuldades sem baixar a cabeça. Com o tempo Armandinho passou a seguir pistas. Seu pai era um homem, no mínimo 13 anos mais velho que ele, e que havia morado em Vitória em 1996. Infelizmente grande parte da população de Vitória poderia ser pai de Armandinho e com isso os anos se passaram. Procurou também por cidades vizinhas e não tão vizinhas assim, até que um dia uma senhora lhe disse:
- Uma vez eu vi um homem caolho igual a você.
Armandinho percebeu que havia ignorado um fato obvio. Por serem pai e filho, ele seria então muito semelhante a seu pai. Armandinho se virou e olhou seu reflexo no vidro de um carro. Seu pai era igual a ele. Cabelos compridos e mal cuidados, uma barba emaranhada e caolho. Armandinho sentou na calçada e chorou. Seu pai era um pirata e nesse momento deveria estar em algum lugar em alto mar.
Apesar da conclusão de Armandinho ser um absurdo genético, ela não chagava a ser impossível, muito pelo contrário, Armandinho estava certo. Agora ele só precisaria de um barco.
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7 Responses to “Armandinho”



Sensacional. Nem Veríssimo faria melhor.
Na real, faria, mas eu só quis encher a bola mesmo.
Não só faria como já fez, mas obrigado pelo elogio =)
Lembra daquele cara que se veste de pirata que eu te mostrei. Pois então, ele começou assim que nem você, obcecado. Cuidado.
Esse Armandinho é um cara muito peculiar. Anderson Leitão deveria entrevistá-lo.
O texto ficou todo muito bom, mas o início é fabuloso: “Armandinho, jovem sem olho e sem pai, vive a vida dura de quem perde o olho e o pai e se vê obrigado a procurar pelos dois”.
Parabéns, Nigel!
O primeiro parágrafo tem uma vibe Procurando Nemo que eu creio ter sido acidental, mas sei lá, nunca é acidental…
E a saga continua! Hollywood adora trilogias!
sensacional! e continua sua cisma com piratas…