Não existe jornada mais incrível que a do menino que largou tudo para encontrar o próprio pai. O que é mais inspirador em tudo isso é que ele nunca desistiu, nem mesmo quando perdeu um olho. Estamos falando de um menino caolho, que desafiou o mundo e fez o impossível para encontrar o próprio pai.
Bom, o que é impossível é impossível. Se você aceita o fato de alguém fazer uma coisa impossível assim, sem parar para refletir sobre a real impossibilidade do feito, você concorda que estamos diante de uma palavra inútil. Seria o impossível um sinônimo de possível? Ou seria o impossível um conceito relativo?
A aventura de um menino caolho de fato gerou o interesse de diversos filósofos. Muito se especulou, houve exaltação, mas, no fim, todos concordaram que o impossível não é algo que não pode ser feito, mas sim algo que só pode ser feito por um homem desesperado à procura de seu pai.
Sem se preocupar com o que os filósofos diziam a seu respeito Armandinho e a baleia seguiram oceano adentro. Armandinho estava montado na baleia, amarrado e olhando em direção ao horizonte em busca de um barco pirata.
A baleia nadava rente à superfície, batendo eventualmente com a calda na água e balançando Armandinho como um peão de rodeio. Ela se afastou da praia rapidamente, mas, assim que se deu por satisfeita com a profundidade do mar, mergulhou.
Não demorou mais do que alguns segundos para Armandinho se dar conta de que não poderia respirar de baixo d’água. Ele tentou se soltar das cordas, mas estavam muito apertadas. Ele puxou com força. Não conseguia se soltar de forma alguma. Imaginou como não havia previsto que isto eventualmente aconteceria. O que ele pensou que fosse acontecer? Achou que pilotaria a baleia como um jet ski?
“Maldita baleia, será que ela não percebe que eu não respiro de baixo d’água?” Pensou Armandinho. Mas, neste ponto, ele não poderia culpar a baleia, já que ela também não pretendia respirar de baixo d’água, pois, assim como Armandinho, também era um mamífero. Mas quem liga para a biologia quando está a um suspiro do fim, não é?
Armandinho enfiou a mão no bolso e segurou firme seu olho. Ele torceu o corpo e girou, sentiu que estava escorregando, se livrando das cordas, mas foi travado pela perna direita que continuava presa nas cordas.
Diferente de Armandinho que estava tendo um dia de azar, Denis o instrutor de mergulho estava tendo um dia de sorte. Ele havia levado um casal de executivos para mergulhar, coisa que por si só já garante uma boa remuneração. Quando ele percebeu que uma baleia iria passar por seu grupo de mergulho Denis sorriu. Baleias sempre geram gorjetas gordas.
O que para Denis era o sinal de uma gorjeta gorda, para o inconsciente Armandinho era o sinal de que viveria para encontrar o seu pai.


{ 6 } Comments
Ufa… por um instante achei que esse seria o fim do nosso querido Armandinho
“todos concordaram que o impossível não é algo que não pode ser feito, mas sim algo que só pode ser feito por um homem desesperado à procura de seu pai.”
genial! Nasce um clássico.
Oh, uau, chega uma nova personagem!
P. S.: “a dentro” é juntinho, rapá, e é “rente à superfície”.
Na verdade, Armandinho ia morrer mesmo a baleia sendo mamífera. Eu vi no Discovery que as baleias ficam um tempo absurdo embaixo d’água. Elas ficam sem se mexer pra “economizar” o oxigênio.
Ia rolar um dialogo entre o Armandinho, delirando, e a baleia. Mas eu desisti.
Pô eu tb tava achando que ele ia morrer! VocÊ disse que esse ia ser o último episódio do Armandinho…
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