Os dois piratas que haviam embarcado na lancha de Denis estavam prestes a perder a paciência, e, quando alguém com uma metralhadora está prestes a perder a paciência, talvez isso signifique que você deva fazer alguma coisa.
Infelizmente Armandinho não estava muito apto a fazer qualquer coisa naquele momento. Não estava apto, mas isso não quer dizer que não fez. Ele acabou fazendo alguma coisa que salvou sua vida – claro que sim. Se não tivesse feito esta não seria a história de um homem que sofreu o sofrimento mais cruel, o sofrimento de viver a vida sem conhecer o próprio pai. Esta de fato é a história de um homem que venceu o desafio de não ter um olho e fez coisas incríveis se alimentando do sonho de que encontraria seu pai. Esse não é o conto de um mergulhador de meia idade e sua lancha.
Um dos piratas – o musculoso que só vestia uma sunga – apontou sua metralhadora para Armandinho.
- Rapaz, você está chorando e gritando pelo seu pai, mas você tem que entender que nós somos piratas, nós precisamos voltar com esta lancha para o nosso barco. É assim que a gente ganha a vida.
- E essa é uma lancha bem cara – completou o outro pirata.
- Nós não temos motivo para matarmos você, preferimos que você pule no mar. Realmente preferimos que você pule no mar…
Neste momento Denis agarrou seu equipamento de mergulho e se jogou no mar.
- Seu amigo entendeu o que eu quis dizer.
- Entende? Ele pulou no mar e isso significa que ele não vai levar um tiro na cara.
- Se você pular no mar a gente não precisa matar você e jogá-lo no mar depois.
- Porque, não sei se deu para perceber, você vai parar no mar de qualquer jeito.
Neste momento Armandinho enlouqueceu de vez. Ficou biruta. Tão biruta que deu um grito sem qualquer motivo aparente. Um grito gutural e aterrorizante, seguido por:
- Papai!
Os piratas se encheram de vez. Apontaram as metralhadoras para Armandinho e estavam prontos a atirar quando foram interrompidos pela lancha que aparentemente resolvera sair voando.
Não se trata de uma lancha voadora, eu garanto. O movimento súbito da embarcação foi causado por uma baleia enfurecida.
Era a mesma baleia que já havia encalhado, servido de transporte para um homem desesperado que colocava todas as suas forças em encontrar o seu pai e, se tudo isso não bastasse, estavam jogando cadáveres exatamente onde ela planejava se acasalar e isto estava arruinando o clima.
A baleia resolvera que iria acabar com aquela palhaçada destruindo a lancha.
De perto pode ter parecido que a lancha havia saído voando, mas de longe, mais especificamente de certo barco pirata, parecia que Armandinho havia evocado um monstro marinho para se defender.
- Aquele homem acabou de ordenar que uma baleia atacasse a lancha. Como será que ele fez isso? – Perguntou um dos piratas que observava o ataque, mas só por perguntar.
- Aposto que nós ganharíamos alguma espécie de recompensa se trouxéssemos um homem que se comunica com baleias para o capitão.


{ 4 } Comments
Por um momento eu pensei que fossem matar Armandinho na mesma vibe Anderson Leitão.
Se tem alguém que merece um spin-off são esses dois piratas.
Nigel Goodman, série sobre piratas. Tudo a ver.
putz parte boa.
Preciso ler as outras cinco e entender o rumo dos fatos.
visite meu blog depois, ok.
abraço.
Não entendi muito bem também, mas gostei
hehe.. peguei i bonde andando!
Belo texto os outros devem ter sido bons tb!Voltarei pra entender a história! Tenho algo em comum com o personagem…
Bjus
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