Este post, como a numeração supõe, faz parte de uma série. Eu recomendo muito que você leia os outros para conseguir entender a história. Aqui você encontra o resto deste conto.
Piratas com jet skis vieram zunindo de todos os lados. Enquanto a baleia terminava de destroçar a lancha, Armandinho era levado ao grande barco pirata que estava ancorado ali perto.
Contrariando o que a maioria poderia pensar, Armandinho não desistiu. Em sua mente as coisas já não faziam mais sentido nenhum. Armandinho não sabia mais dizer se era um homem ou uma criança, ou quantos anos haviam passado desde que começara a procurar por seu pai. A angustia de uma busca de anos havia finalmente atingido a mente do nosso herói. Neste ponto Armandinho não passava de um espectador da própria vida, cooperando com tudo e sem saber se deveria ou não interagir com a realidade.
Os piratas chegaram com Armandinho no barco e em questão de minutos já estavam no convés, onde um pirata gordo que usava bóias de braço fazia perguntas à Armandinho.
- Eu vi você chamando a baleia! Como você fez aquilo? Você conversa com os animais, qual é o seu segredo?
Os piratas estavam sofrendo uma espécie de dilema. Normalmente eles torturariam seus sequestrados até conseguirem as respostas que precisavam, mas, neste caso em específico, alguns estavam receosos de que Armandinho pudesse enviar animais marinhos terríveis das profundezas para lhes atacar. Alguns acreditavam que, pelo simples fato de terem capturado um semideus, seriam amaldiçoados com tempestades sem fim.
Na realidade Armandinho era um homem desesperado pelo amor de um pai que nunca conheceu que, apesar de ter perdido um olho, teve muita sorte de conseguir chegar até ali. Esta descrição é muito diferente da descrição que você esperaria de um semideus. Mas os piratas não sabiam de toda a história de Armandinho e, baseando-se apenas pela sua aparência, ele realmente parecia um demônio surgido da boca do inferno. Estes piratas eram do tipo que respeitavam demônios surgidos da boca do inferno e por isso não estavam torturando Armandinho.
- Você não vai falar comigo? Você está zombando de mim? – O pirata gordo e de bóias continuava a pressionar Armandinho.
Armandinho estava delirando. Não havia nem compreendido as perguntas, mas a pressão da atenção dos piratas e a barulheira que se dava ao seu redor estavam o irritando. Armandinho respirou fundo e deu um grito estridente, daqueles que destrói a sua garganta e faz você perder a voz depois.
- Besta do inferno, você está tentando nos amaldiçoar! Ele está evocando os demônios das profundezas para devorarem nossas almas.
O pânico se espalhou e o caos tomou conta do convés. Alguns piratas pularam no mar, outros se preparavam para fugir com jet skis ou pequenas lanchas. Alguns piratas preparavam suas armas para enfrentar o exército do outro mundo que viriam em segundos.
Eis que no meio de toda a confusão surgiu o capitão pirata. O capitão era um homem alto e magro que vestia um terno preto, camisa branca e gravata vermelha. Ele carregava uma pasta de documentos na mão esquerda e vinha em direção à Armandinho.
- Jovem, posso saber por que você está aterrorizando minha tripulação?
Em resposta Armandinho deu outro grito, mas muito mais rouco que o primeiro.
- Estou entendendo. – O capitão olhou em volta e perguntou a um pirata que cogitava em fincar uma faca no coração de Armandinho – por que exatamente a gente o trouxe a bordo?
- Ele tem o controle sobre todas as criaturas do mar…
- Eu acho isso bem difícil de acreditar.
- Capitão, ele é filho do próprio Lúcifer. Eu vi com meus próprios olhos quando ele ordenou que os tubarões atacassem um exército dos nossos homens e que as gaivotas defecassem em nossas crianças.
- Marquinhos, você sabe que não tem nenhuma criança a bordo do nosso barco.
- A besta engoliu nossas crianças…
- Você percebe que trouxeram um homem alucinando a bordo e se assustaram sozinhos?
- Percebo sim senhor.
Os piratas pouco a pouco iam se acalmando enquanto a notícia de que eles eram idiotas se espalhava pelo boca a boca.
- Rapaz – disse o capitão a Armandinho -, você pode me explicar o que aconteceu com você? Foi um dos meus homens que arrancou o seu olho?
Armandinho deu outro grito, mas desta vez ele estava tão rouco que parecia um assobio. Mesmo assim um pirata que não estava muito convencido com a história de que havia se assustado sozinho acreditou que aquele grito fino e fraco era na verdade linguagem dos demônios e se matou com um tiro na cara.
- A gente precisa fazer alguma coisa em relação a esses gritos. Isso está acabando com o ânimo dos rapazes. E eu estou pensando em sequestrar um psicólogo para ajudar vocês.
- Capitão o que a gente faz com o filho do demônio? Cortamos a cabeça dele e jogamos no mar?
- E por que a gente faria uma coisa dessas? Por diversão? Claro que é divertido cortar a cabeça de uma pessoa e jogá-la no mar. Eu mesmo já matei muitas pessoas assim. Mas como no mínimo dez dos meus homens fugiram ou se mataram, acho melhor escravizarmos ele e pormos ele para limpar essa sujeira que está esta embarcação.
Armandinho deu outro grito alucinado, que desta vez soou como um soluço.
- Alguém leva esse homem para ser examinado pelo doutor.
Ao ouvir as palavras doutor Armandinho sai do seu transe. Ele foi aos poucos refletindo sobre os últimos acontecimentos e entendeu que estava prestes de descobrir a verdade. Em pouco tempo ele estaria de frente para o homem que poderia ser o seu pai.


{ 8 } Comments
O texto é longo e muito bem escrito.
Como você colocou no início que sem ler as outrs partes fica difícil de entender, volto mais tarde para ler o restante.
Muito bacana ao blog
Abrç
bellissimo texto valeu.
volto cm mas calma pra ler ta.
TOU NERVOSO.
Ra ra ra!
Excelente No!
As histórias do Armandinho fluem como água!
Escreve uns cento e cinquenta (sem trema) capítulos e vende pra alguma editora publicar semanalmente!
Você está em uma grande livraria quando de repente o vendedor lhe sugere um livro chamado “As aventuras de Armandinho – e contos inacabados de Anderson Leitão.”
add to inventory? (y/n)
Não esqueça do Dr. Fleury!
Eu acho que ele podia analisar o comportamento sexual da baleia que era controlada mentalmente pelo armandinho!
E falando em Anderson Leitão, cadê a entrevista com o Capeta, o cramunhão, cão tinhoso, senhor da treva?
“Os piratas pouco a pouco iam se acalmando enquanto a notícia de que eles eram idiotas se espalhava pelo boca a boca.”: eu LOL nesse trecho.
Post a Comment