Avião de volta
Estou de volta no Rio. Viagenzinha tranqüila de volta. Avião normal desta vez. Mil vezes melhor que o troço do exército que eu peguei para ir, o avião para voltar não fez a minha namorada achar que ia morrer. Uma melhora substancial.
Existe muita gente que morre de medo de voar de avião, muita gente que acha muito legal e a maioria que simplesmente voa de avião e não pensa muito sobre isso. Eu pessoalmente acho muito chato. Para o piloto deve até ser legal, mas para quem está sentado lá atrás fazendo nada é bastante tedioso.
Eu entrei, sentei no meu lugar, fiquei levemente irritado e perguntei para a minha namorada o que eu iria fazer. Ela não compartilha dessa minha visão deturpada das coisas, ficou levemente irritada e disse que aquilo era um avião para eu sentar e ficar quieto. A mulher manda, eu obedeço, mas nem fone de ouvido tinha no voo.
O avião é como se fosse um elevador gigantesco. As pessoas entram, a porta fecha e daí em diante você fica olhando para frente sério esperando a porta abrir. Mesmo que você esteja voando com algum conhecido não é tão simples assim conversar normalmente sabendo que as pessoas mais próximas provavelmente estão acompanhando a sua conversa. E é muito difícil aceitar quando você fala algo engraçado e alguma pessoa perto ri do nada.
Eu só tenho dois desejos quando o avião decola: Primeiro que ele não se transforme numa gigantesca bola de fogo e se espatife em algum lugar, e segundo eu desejo que nenhum desconhecido puxe conversa comigo. Nada contra os desconhecidos, já que todos os conhecidos já foram um algum dia, mas se o cara for um mala não tem pra onde fugir. Você tem um lugar marcado do ladinho de um imbecil, e por mais que você vá ao banheiro não tem como passar o voo inteiro lá dentro. Também me sinto muito mal em cortar uma conversa. Não sei. Não consigo falar algo como: “Muito interessante mesmo. Calma só um pouco que eu vou colocar esse fone de ouvidos aqui, reclinar a cadeira. Pronto. Eu não vou estar prestando mais atenção em você de agora em diante, mas se quiser continuar falando está ótimo por mim.” Não sou uma pessoa boazinha, mas não consigo ser gratuitamente escroto com alguém que estava tentando ser simpático. Felizmente o desconhecido na minha fileira parecia estar dopado a viagem inteira e eu não precisei me preocupar com isso.
Quando o avião pousou aconteceu uma coisa que eu nunca tinha visto pessoalmente, mas falaram que depois que muita gente andou morrendo por ai se tornou uma coisa normal. As pessoas aplaudiram o fato de não terem morrido no pouso. Sério mesmo. As vezes durante algumas apresentações de stand-up eu noto que algumas platéias aplaudem com mais facilidade que outras. Mas aplaudir porque não morreu já está começando a desvalorizar muito a coisa. Daqui a pouco vai ter gente aplaudindo até por do sol. Espera… Isso já tem. Se no mínimo fosse difícil para o sol se por, fosse algum tipo de esforço para o sol, mas é a única coisa que ele tem feito desde sempre.
Agora, só para terminar, alguém pode me explicar porque são proibidas pessoas armadas nos aviões? Me faz duvidar dos critérios que são utilizados para dar armas para as pessoas. Parabéns. De agora em diante você é apto a portar armas por ai. Menos em aviões. A gente confia que você não vai matar ninguém no dia a dia, mas sabe-se lá o que você vai fazer dentro de um avião com todo aquele tédio.






Abel
Nossa! Aplaudiram não morrer?
rsrss Só rindo pra não chorar, tenho uns amigos que preferiram ir para o Rio de ônibus por conta dessas confusões e mal entendidos, é complicado.
Obrigado pelos elogios =)
Você também tá de parabéns, seu blog é um “diário de bordo” bem legal de ler =)
Abçs,
Abel
Sidcafeina
O avião ainda é o meio de transporte mais seguro, só que quando cai, já viu né…
A única maneira de se enfrentar um mala sem alça ao lado, é não o tendo ao seu lado e se o tiver…fechar a cara.
Aplausos na aterrizagem…sempre ocorreram…
Abraço
Jarbas Silva
huahuaahuahu
Aplaudir porque sobreviveu?? Cara, que coisa esdrúxula… Não acredito que a paranóia coletiva dos vôos chegou nesse nível…
Mas parabéns! Agora, você não é mais um simples turista… Virou um SOBREVIVENTE! kkkkkk
Blogonauta
Tem muitas pessoas que tem até Síndrome de pânico ao adentrar em um avião… eu, graças a Deus adoro e curto a viagem toda, igual a um bobo rsrsrsrrsrs…
Valeu!
Francisco
Olá, Nigel.
Ao contrário de vc – que disse não ter lido meus contos -, eu li sua crônica. Por sinal, bastante simpática e honesta. Uma homenagem honesta aos aeroplanos a sua reação com eles.
E agradeço também a honestidade de seu comentário.
Mas, quando houver tempo e disposição, dê uma checada nas minhas histórias.
Gostaria de saber sua opinião.
Abraço.
André Logan
Nunca andei de avião… tenho um certo medo, gerado depois de assistir Premonição… mas é algo que consigo superar… não sei se iria superar o fato de ser algo bem chato, como vc mesmo disse… enfim, ainda não precisei andar de avião.
Renata
Vamos por partes:
- que tal levar um livro para se distrair no vôo? ou um mp3? Algo para escrever? palavras cruzadas?
- sua namorada não fez carinho em você, não? Ou vice versa?
-sempre rolou aplauso, mas confesso que não gosto de apaluso nem no teatro. Platéias entusiasmadas me irritam. Mas acho bacana um grupo se reunir para assistir algo tão corriqueiro quanto o pôr-do-sol e se alegrar com o momento. Aplauso é o jeito de manifestar.
-ah, e para terminar, a altitude pode alterar o humor das pessoas, potencializar uma medicação ou àlcool… portanto melhor não portarem armas em aviões.
Quando será a próxima viageNzinha?
P.S. gostei do seu estilo de escrita.
ale
não pode-se portar armas em um avião porque no caso de um disparo, acidental ou não), se a bala atingir o avião, vai furar, e isso vai cuasar a despressurização do avião, o que provavelmente vai gerar a morte de todo mundo…
Fora que na rua voce seqüestra um carro e pronto, um avião voce seqüestra e faz o mesmo que fizeram com o world trade center.
Bernardo Zirpoli
Se alguém puxar papo contigo, finge que não tem audição no ouvido do lado em que ele está. Deve resolver e todo mundo sai ganhando.