Blackout

As vezes a gente assiste tanto filme e joga tanto vídeo game que a vida real perde um pouco a graça.

Juro que senti um pouco de decepção quando ouvi no rádio um cara explicando os motivos do apagão de ontem.

Quando as luzes apagaram eu estava no centro da cidade, que é o grande centro comercial do Rio de Janeiro com grandes prédios comerciais. Ver tudo aquilo apagado foi bem bacana. Ainda mais porque não estava totalmente apagado, existiam algumas luzes aqui e ali para dar um clima. Era uma vibe meio futuro apocalíptico.

Não via a hora de começar a saquear tudo aquilo. Juntar alguns amigos e sair por aí dirigindo aproveitando o caos do trânsito para aterrorizar famílias assustadas que tentavam voltar para casa. Um pouco de ultraviolência seria divertido.

E qual seria o motivo para tudo aquilo? Invasão alienígena? Ou quem sabe alguma guerra, um ataque estrangeiro, ou um atentado terrorista, alguma manifestação mais violenta? Quanto tempo ficaríamos sem luz? Dias, meses, anos? Vivendo no escuro, tentando sobreviver à violência noturna.

Seria o maximo.

Aí, enquanto via a  luz voltando escutava um cara dizer no rádio que tinha acontecido qualquer coisa com o fornecimento, mas tudo já estava se normalizando.

Sem graça.