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	<title>Nigel Goodman.com &#187; Anderson Leitão</title>
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		<title>Nigel Goodman.com &#187; Anderson Leitão</title>
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		<title>Entrevista com o homem do futuro</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 15:37:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nigel Goodman</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anderson Leitão]]></category>
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		<description><![CDATA[Anderson Leitão era um repórter ansioso. Ansioso pelo sucesso. Não gostava de como as coisas estavam e queria acelerar sua vida até o momento de glórias que tinha certeza que chegaria. O futuro com certeza seria um lugar melhor.
Anderson Leitão estava em sua casa. Estava pensando em como faria para ser levado a sério no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Anderson Leitão era um repórter ansioso. Ansioso pelo sucesso. Não gostava de como as coisas estavam e queria acelerar sua vida até o momento de glórias que tinha certeza que chegaria. O futuro com certeza seria um lugar melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Anderson Leitão estava em sua casa. Estava pensando em como faria para ser levado a sério no jornalismo, como faria para ser reconhecido, e de repente um estrondo e um homem apareceu no meio da sua sala de estar. Anderson não teve reação. Olhou para o homem e quando seus olhares se cruzaram o outro disse:</p>
<p style="text-align: justify;">- Oi, eu vim do&#8230; Em que ano nós estamos?</p>
<p style="text-align: justify;">- 2010 &#8211; respondeu Leitão.</p>
<p style="text-align: justify;">- Do futuro. &#8211; O homem sorriu contente.</p>
<p style="text-align: justify;">Leitão ficou alguns segundos observando aquele homem do futuro, que parecia muito feliz pelo fato de ser do futuro, e não do passado.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando você viaja no tempo você pode ser do futuro ou do passado. Se você for do futuro isso significa que você é uma pessoa muito legal, um homem que sabe das coisas que ninguém mais sabe. Você traz respostas para as dúvidas das pessoas. Você traz tranquilidade com histórias de um futuro incrível onde os carros voam e os aviões submergem. Ou então você traz esperança, uma chance para mudarmos um futuro apocalíptico. Se você vem do passado você é um idiota. Você não sabe de nada que as pessoas do presente sabem, você não vai entender as tecnologias e vai ficar enchendo o saco perguntando coisas obvias. Você vai baixar vírus no meu computador e será a pessoa mais ingênua do mundo. Tudo que você disser poderia ter sido descoberto através de uma simples pesquisa. Pessoas só vem do passado por motivos cômicos.</p>
<p style="text-align: justify;">O homem que estava na sala de Anderson Leitão era um homem do futuro e isso era uma boa coisa. Anderson Leitão pensou e concluiu que as pessoas gostariam de saber sobre o futuro.</p>
<p style="text-align: justify;">- Posso te entrevistar?</p>
<p style="text-align: justify;">- Claro que sim.</p>
<p style="text-align: justify;">- Primeiro, como é o futuro? Existe paz ou guerra?</p>
<p style="text-align: justify;">- Paz, mas fazemos guerras de 4 em 4 anos para decidir as coisas. Chamamos elas de eleições.</p>
<p style="text-align: justify;">- Como assim guerras de 4 em 4 anos? Isso é terrível.</p>
<p style="text-align: justify;">- De forma alguma. É até bem divertido. Mas as guerras são um pouco diferentes das guerras que vocês têm hoje em dia.</p>
<p style="text-align: justify;">- Diferentes como?</p>
<p style="text-align: justify;">- Nos guerreamos com o que vocês chamam de paint ball.</p>
<p style="text-align: justify;">Anderson Leitão tremeu e o homem de futuro continuou sua explicação:</p>
<p style="text-align: justify;">- Não faz sentido ter que morrer em uma guerra. Nós simplesmente combinamos que no lugar de munição usaríamos tinta e quem fosse atingido teria que sair do território eleitoral.</p>
<p style="text-align: justify;">- Território eleitoral?</p>
<p style="text-align: justify;">- Brasília.</p>
<p style="text-align: justify;">Anderson Leitão parou por alguns segundos tentando entender o que havia escutado.</p>
<p style="text-align: justify;">- Você quer dizer então que as coisas no futuro são decididas em guerras &#8211; mais banais que as de hoje em dia -, porem vocês todos combinaram que para evitar as mortes usarão armas de paint ball.</p>
<p style="text-align: justify;">- Isso mesmo &#8211; disse o homem que veio do futuro, muito satisfeito com a forma com que as pessoas no seu tempo resolvem as coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">- Você não deveria estar feliz. Isso é terrível. As pessoas deveriam resolver suas diferenças de forma pacífica, através de diálogo. Vocês simplesmente inventaram um jeito de pegar o que já era idiota e transformar em algo mais idiota ainda.</p>
<p style="text-align: justify;">Os dois se olharam por alguns segundos e Leitão voltou a falar, só que mais calmo agora.</p>
<p style="text-align: justify;">- E o que impede as pessoas que perderam a guerra de começar outra logo após. Eles não podem simplesmente se contentar em terem perdido uma partida de paint ball.</p>
<p style="text-align: justify;">- Bom senso.</p>
<p style="text-align: justify;">Anderson Leitão gargalhou.</p>
<p style="text-align: justify;">- Você quer dizer que o que faz as guerras de paint ball funcionar é o bom senso? Bom senso?</p>
<p style="text-align: justify;">- Claro. É tudo uma questão de bom senso. Veja, o jeito como vocês fazem as coisas é que não faz sentido nenhum.</p>
<p style="text-align: justify;">- Por favor, se aprofunde.</p>
<p style="text-align: justify;">- É até engraçado. Vocês tentam dialogar antes de ir para a guerra. &#8211; O homem do futuro deixou escapar uma risada. &#8211; Como é que você dialoga efetivamente sabendo que se tudo der errado você pode dar um soco na outra pessoa? Até existe o interesse em se resolver as coisas pacificamente, mas vocês sabem que não é a única saida.</p>
<p style="text-align: justify;">- Faz sentido até.</p>
<p style="text-align: justify;">- No futuro a gente começa com a guerra. Todos tem uma chance de &#8220;matar&#8221; aqueles que estão contrários e no fim quem ganha as guerras resolve as coisas. Pode parecer estranho, mas todas as pessoas que morrerem de brincadeira teriam morrido de verdade. Isso mexe com a cabeça das pessoas. E porque insistir em uma coisa que você sabe que não vai dar certo para você? A única saída para estas pessoas é o diálogo.</p>
<p style="text-align: justify;">Anderson Leitão começava a se convencer. Quem sabe o futuro fosse realmente um lugar de pessoas mais evoluídas.</p>
<p style="text-align: justify;">- E você deve estar pensando: mas isso deve fazer com que as pessoas que ganham as eleições ignorem totalmente as que perderam.</p>
<p style="text-align: justify;">- Isso.</p>
<p style="text-align: justify;">- Não acontece. Sabe, mesmo o lado que ganha tem muitas baixas. E poucas pessoas ficam satisfeitas em morrer por aquilo que elas acreditam. A não ser que você acredite em uma coisa só. Eu por exemplo já morri sete vezes. Na primeira vez você até pode se deixar levar por essa idéia, mas lá para a terceira você acaba percebendo que morrer uma vez só pelos seus ideais não é o suficiente. E é muito mais legal estar vivo para ver as coisas dando certo. Ou poder ter a prova de que você estava errado realmente.</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu não consigo acreditar nisso, mas até que faz sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">- Espero que tenha sido esclarecedor. Agora eu preciso ir.</p>
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		<title>O enterro de Anderson Leitão</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jan 2009 23:48:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nigel Goodman</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anderson Leitão]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Enterro]]></category>

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		<description><![CDATA[ Anderson Leitão morreu. Foi vitima de alguma espécie de maníaco. A polícia classificou o crime como latrocínio. Uma amiga de Anderson Leitão prestou depoimento dizendo que o criminoso era um mendigo e estava obviamente drogado. A polícia deduziu que o mendigo havia tentado assaltar Anderson, mas este reagiu enfurecendo o assaltante que o atacou brutalmente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"> Anderson Leitão morreu. Foi vitima de alguma espécie de maníaco. A polícia classificou o crime como latrocínio. Uma amiga de Anderson Leitão prestou depoimento dizendo que o criminoso era um mendigo e estava obviamente drogado. A polícia deduziu que o mendigo havia tentado assaltar Anderson, mas este reagiu enfurecendo o assaltante que o atacou brutalmente e em seguida fugiu com a sua carteira. Ninguém sabe ao certo quais os documentos e quanto dinheiro havia na carteira.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de trabalhar em um jornal, não saiu nenhuma nota de sua morte. O editor do jornal não gostava de notas fúnebres. Ele achava que deixavam o jornal pesado, o que não era bom. Para o editor o jornal era o lugar onde as pessoas gostavam de ler amenidades e se informar sobre o tempo no final de semana. Ninguém conseguiria se divertir sabendo que Anderson Leitão havia morrido, ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de não dar uma nota se quer no jornal, o editor, assim como todos os outros funcionários da redação sentiam muito carinho e admiração por Leitão. Como Leitão era sozinho, solteiro e sem parentes, resolveram que se juntariam para fazer um velório digno de seu tão querido colega.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte todos estavam reunidos no cemitério. Um rapaz distribuía cópias de algums entrevistas de Anderson. Muitos choravam. Uma pequena senhora que ninguém nunca havia visto antes tentou se jogar dentro da cova de Anderson, mas foi contida por um estagiário. Uma garota deslumbrante mentia sobre aventuras sexuais que nunca ocorreram. Todos estavam lá e estavam tristes, mas ao mesmo tempo felizes, pois estavam celebrando a vida de Leitão, e não sua morte. As pessoas estavam satisfeitas de poder dizer suas últimas palavras para um amigo tão querido e estavam satisfeitas em saber que Anderson estava tendo um enterro digno. Claro que Anderson preferiria ser cremado e ter suas cinzas jogadas no mar, e também não conhecia metade das pessoas ali e não se importava com a outra metade, mas ninguém sabia disso e estavam todos lá.</p>
<p style="text-align: justify;">O chefe de Anderson foi o mais emocionado de todos na cerimônia. Ele subiu em um pequeno palanque e começou a contar histórias emocionadas. Chorou bastante e terminou dizendo:</p>
<p style="text-align: justify;">- Anderson, se por acaso você estiver ouvindo, eu gostaria de uma entrevista com o Diabo para semana que vem.</p>
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		<title>Anderson Leitão e a telefonista</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Nov 2008 15:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nigel Goodman</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anderson Leitão]]></category>
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		<description><![CDATA[Anderson Leitão nunca teve uma vida social muito ativa. Desde o colégio ele nunca teve muitos amigos. Não que ele fosse um cara excluído. Todos sempre gostaram muito dele. As pessoas se referem a Leitão como um sujeito simpático, um boa praça, sempre pronto a ajudar. Ele é convidado a festas e happy hours. Ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Anderson Leitão nunca teve uma vida social muito ativa. Desde o colégio ele nunca teve muitos amigos. Não que ele fosse um cara excluído. Todos sempre gostaram muito dele. As pessoas se referem a Leitão como um sujeito simpático, um boa praça, sempre pronto a ajudar. Ele é convidado a festas e happy hours. Ele até costuma ir e ficar um pouco, mas não chega a se relacionar com ninguém de forma pessoal. Essa é a chave para a solidão de Anderson Leitão. Ele não se relaciona pessoalmente com as pessoas. Não tem conversas profundas, muito menos confidencia problemas. Anderson Leitão é como uma tartaruga: Um rostinho amigável saindo pela fresta de um casco bem duro.</p>
<p style="text-align: justify;">O verdadeiro Anderson Leitão é um sujeito pedante, arrogante e impaciente. Ele não se relaciona com ninguém porque não se interessa de fato por aquilo que os outros podem ter a dizer. Mas ele não consegue ser grosso com ninguém. Nem com a mais fútil secretaria. Nem com Rosemery, a telefonista.</p>
<p style="text-align: justify;">Certo dia Rosemary estava muito triste e chamou Leitão para conversar. Ela disse estar deprimida. Disse que sua vida estava um tédio, que nada dava certo, que seu namorado, 15 anos mais jovem, a havia largado, que ela havia perdido uma liquidação, que sua vaga de estacionamento era a pior de toda a redação e inúmeras outras futilidades. Anderson Leitão se chateou e resolveu incentivar o suicídio da colega:</p>
<p style="text-align: justify;">- Você sabe que, querendo, você pode acabar com todo esse sofrimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Era só isso que Rosemery precisava ouvir para finalmente tomar coragem e pedir um aumento, que ela conseguiu. Deu entrada no financiamento de uma casa próxima ao trabalho e nunca mais precisou se preocupar com a vaga na garagem. Passou a caminhar para o trabalho todos os dias e foi assim que conheceu, em uma esquina, um sujeitinho chamado Penrod, por quem se apaixonou.</p>
<p style="text-align: justify;">A vida de Rosemery mudou e ela ficou eternamente grata a Anderson Leitão.</p>
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		<title>Entrevista com o homem vestido de pirata</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Aug 2008 02:44:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nigel Goodman</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Anderson Leitão era um sujeitinho frustrado. Ele reclamava do jornal onde trabalhava que lhe dava poucas oportunidades e das pessoas que não o levavam a sério. Anderson era ambicioso na medida certa. Ele queria crescer na sua profissão. Queria fazer diferença. Mas ninguém dava atenção às suas idéias, que, diga-se de passagem, eram realmente boas. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Anderson Leitão era um sujeitinho frustrado. Ele reclamava do jornal onde trabalhava que lhe dava poucas oportunidades e das pessoas que não o levavam a sério. Anderson era ambicioso na medida certa. Ele queria crescer na sua profissão. Queria fazer diferença. Mas ninguém dava atenção às suas idéias, que, diga-se de passagem, eram realmente boas. Anderson Leitão sempre teve idéias interessantes que revigorariam o jornal para o qual escrevia, mas, como sempre acontecia, outras pessoas tinham planos muito definidos sobre os rumos do jornal e esses planos nunca tinham espaço para as idéias de Leitão.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje Anderson chegou determinado no trabalho. Ele veio no caminho pensando que deveria defender seus ideais a todo o custo. Não ia aceitar mais ser tratado como criança. Se os outros repórteres não se incomodam de fazer matérias surreais isso não quer dizer que ele teria que suportar estas coisas. Anderson Leitão entrou sério na redação, não deu oi para ninguém e caminhou direto para a sala do chefão. Alguns colegas tentaram cumprimentar Leitão enquanto este passava, mas foram ignorados. Muitas pessoas foram ignoradas por ele aquela manhã, mas por algum motivo nenhuma delas se ofendeu. Elas imaginaram que ele deveria estar muito ocupado e Anderson acabou servindo de exemplo de dedicação para estas pessoas, que no futuro receberam promoções por seu trabalho duro e escreveram cartas de agradecimento dedicando seu sucesso a Anderson Leitão.</p>
<p style="text-align: justify;">Anderson Leitão entrou na sala do editor e disse, sem piscar:</p>
<p style="text-align: justify;">- Olha. Eu não agüento mais isso, essas entrevistas sem sentido. Eu quero ser levado a sério aqui dentro.</p>
<p style="text-align: justify;">Os olhos do editor brilharam. Ele tinha uma pauta que só estava esperando alguém se destacar.</p>
<p style="text-align: justify;">- Olha Leitão, eu tenho a matéria certa para você.</p>
<p style="text-align: justify;">- Trabalho sério?</p>
<p style="text-align: justify;">- Muito sério. Existe um jovem que é exatamente como você. Ele é desafiador e inovador, e tudo que ele quer é ser levado a sério, assim como você.</p>
<p style="text-align: justify;">- Olha só, vou poder fazer a diferença, mudar a cabeça das pessoas e transformar este jornal em uma ferramenta de amor e aceitação.</p>
<p style="text-align: justify;">- Estou até vendo a manchete! Anderson Leitão entrevista o homem vestido de pirata.</p>
<p style="text-align: justify;">- Você não me entendeu. Eu não vou entrevistar nenhum pirata.</p>
<p style="text-align: justify;">- E não vai mesmo. Ele não é um pirata. É só um homem comum que se veste de pirata e quer ser aceito por esse mundo. Uma alma incompreendida, assim como a sua.</p>
<p style="text-align: justify;">- Nossa, faz toda a diferença. Era exatamente isso que eu queria quando entrei aqui. Não sei nem como lhe agradecer chefe &#8211; disse Anderson tentando soar o mais sarcástico que conseguisse. Tentando, mas não conseguindo.</p>
<p style="text-align: justify;">- Não precisa agradecer nada.</p>
<p style="text-align: justify;">E depois disso, com seu espírito arrasado, Anderson Leitão partiu para entrevistar o homem vestido de pirata.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-131"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Leitão dirigiu até uma praça. Lá, fedendo a bebida e gritando com os transeuntes, estava o tal homem que se vestia de pirata. Anderson se aproximou com cautela.</p>
<p style="text-align: justify;">- Oi, eu sou do jornal. Vim fazer uma entrevista com o senhor &#8211; disse Anderson enquanto sacava o gravador.</p>
<p style="text-align: justify;">O homem vestido de pirata se assustou com a movimentação de Leitão e arremessou uma garrafa vazia em sua direção, errando por poucos centímetros.</p>
<p style="text-align: justify;">- Ei, você está doido? &#8211; Perguntou Anderson rapidamente lembrando que estava conversando com alguém que se vestia de pirata.</p>
<p style="text-align: justify;">- Quem é você? E que arma é essa que você carrega?</p>
<p style="text-align: justify;">- Olha, meu nome é Anderson Leitão, eu trabalho para o jornal e este aqui é o meu gravador.</p>
<p style="text-align: justify;">- Coloque a sua arma no chão e venha até aqui seu saco de bosta.</p>
<p style="text-align: justify;">Anderson Leitão começou a ficar com um leve medo do entrevistado.</p>
<p style="text-align: justify;">- Você acha que vai chegar aqui puxando as suas armas é?</p>
<p style="text-align: justify;">- Olha, aquela não era uma arma. Era um gravador que eu uso para capturar a sua&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Você nunca vai me capturar seu desgraçado.</p>
<p style="text-align: justify;">O homem vestido de pirata puxou o que parecia ser um enorme facão e partiu para cima. O que parecia ser um enorme facão cortou um talho da roupa de Anderson e foi promovido para enorme facão de fato.</p>
<p style="text-align: justify;">- Ahhh &#8211; gritou Anderson de forma afeminada.</p>
<p style="text-align: justify;">- Hahaha. Você grita como uma mulher.</p>
<p style="text-align: justify;">- Ahhh!</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu vou beber o seu sangue seu animal imundo.</p>
<p style="text-align: justify;">- Pelo amor de Deus pare com isso. Você vai me furar!</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu vou te furar!</p>
<p style="text-align: justify;">- Ahhh!</p>
<p style="text-align: justify;">- Ahhh &#8211; gritou o homem vestido de pirata de forma masculina.</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu desisto. Eu desisto. Me deixe ir por favor.</p>
<p style="text-align: justify;">- Deixe-me ir.</p>
<p style="text-align: justify;">- Oi?</p>
<p style="text-align: justify;">- O certo é deixe-me ir.</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu sei, mas na hora do nervosismo eu&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- E você se diz repórter.</p>
<p style="text-align: justify;">- Quem é você para ficar me dando bronca? Você se veste de pirata e estava tentando me matar.</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu sou bacharel em letras.</p>
<p style="text-align: justify;">- Não pode ser. Você não pode ter feito faculdade.</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu fiz. Era o primeiro da minha turma.</p>
<p style="text-align: justify;">- O que foi que aconteceu com você?</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu era o primeiro da minha turma. Um aluno brilhante e com um futuro muito promissor. Eu organizava grupos de estudo para as provas e logo fui eleito o representante da turma. Tudo estava bem até a nossa festa de formatura.</p>
<p style="text-align: justify;">- O que tem a festa?</p>
<p style="text-align: justify;">- Era à fantasia, e ia ser em um barco.</p>
<p style="text-align: justify;">- Você foi de pirata.</p>
<p style="text-align: justify;">- E como eu era o presidente da turma eles me chamaram de capitão.</p>
<p style="text-align: justify;">- E você sente saudade dos seus amigos de faculdade e se veste de pirata pra lembrar das brincadeiras que vocês faziam, não é?</p>
<p style="text-align: justify;">- Não.</p>
<p style="text-align: justify;">- Não?</p>
<p style="text-align: justify;">- Não.</p>
<p style="text-align: justify;">- Você pode desenvolver sua resposta?</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu matei todos eles.</p>
<p style="text-align: justify;">O medo voltou rapidamente e Leitão reparou que ele ainda estava segurando algo que era de fato um facão.</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu era o capitão, mas eles não me obedeciam. Eu mandava eles remarem, eles me diziam que não, eu mandava limparem o convés, mas eles me diziam que não. Demônios! Eu não tinha escolha. Eram insubordinados, amotinados aqueles desgraçados, filhos de éguas parideiras. Nessas situações, se você fraqueja você morre. Eu peguei um facão e estripei todos os homens e estuprei e matei todas as mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;">Anderson Leitão que havia ficado tranqüilo voltou a não estar tranqüilo e se urinou.</p>
<p style="text-align: justify;">- Agora eu vou ter que te matar.</p>
<p style="text-align: justify;">- Oi, eu realmente não entendi a ligação.</p>
<p style="text-align: justify;">- Você veio me trazendo ameaças.</p>
<p style="text-align: justify;">- Era um gravador.</p>
<p style="text-align: justify;">- Você me chamou de doido. Eu não sou doido!</p>
<p style="text-align: justify;">- Porque nós não tentamos começar tudo de novo? Esquece tudo isso. Esquece o gravador. Eu tenho um bloco de notas. Me conte porque você não tem um papagaio, que tal? &#8211; Anderson estava tentando, mas até ele estava certo de que iria morrer.</p>
<p style="text-align: justify;">- Um pombo comeu meu papagaio.</p>
<p style="text-align: justify;">- Um pombo?</p>
<p style="text-align: justify;">- Foi o que eu disse! Você duvida de mim?</p>
<p style="text-align: justify;">- Claro que não. Um pombo comeu o meu papagaio também.</p>
<p style="text-align: justify;">Leitão havia sido obviamente sarcástico, mas o homem vestido de pirata não entendeu o sarcasmo, talvez porque Leitão estivesse chorando de medo, e acabou se identificando com o repórter. O homem vestido de pirata chorou rapidamente a perda de seu papagaio e resolveu deixar Leitão ir.</p>
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		<title>Entrevista com a pedra</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Aug 2008 21:02:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nigel Goodman</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anderson Leitão]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[diálogo]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[pedra]]></category>
		<category><![CDATA[repórter]]></category>

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		<description><![CDATA[Anderson Leitão está longe de ganhar qualquer tipo de prêmio jornalístico. Na realidade o rapaz que opera a máquina copiadora salvou a vida de uma senhora outro dia, na hora do almoço, e acabou ganhando uma medalha em algum tipo de solenidade no corpo de bombeiros. Anderson Leitão foi escalado para cobrir esta solenidade. Ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Anderson Leitão está longe de ganhar qualquer tipo de prêmio jornalístico. Na realidade o rapaz que opera a máquina copiadora salvou a vida de uma senhora outro dia, na hora do almoço, e acabou ganhando uma medalha em algum tipo de solenidade no corpo de bombeiros. Anderson Leitão foi escalado para cobrir esta solenidade. Ele chorou durante a solenidade. Muitas pessoas, inclusive o rapaz da copiadora, acharam Leitão um cara muito legal, sensível, mas legal, por ter se deixado emocionar. Na verdade Anderson estava achando tudo aquilo um saco e quando pensou na sua carreira nos últimos 15 anos não agüentou e chorou. Anderson Leitão tinha o dom de ser bem interpretado pelas pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">Na última reunião, como sempre, ninguém gostou de suas idéias. Desmascarar políticos? Investigar esquemas de prostituição infantil? Coisa ruim, coisa pesada. Hoje em dia ninguém mais quer saber de coisa ruim. O negócio agora é lei da atração, ou seja lá o que for. Hoje em dia as pessoas querem ler matérias divertidas. Anderson Leitão vai entrevistar uma pedra.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-125"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Existem correntes de pensamento que dizem que as pedras pensam. Na realidade são várias vezes mais inteligentes que um ser humano. Isso explica porque as pedras nunca tiveram interesse de conversar conosco. Algumas pessoas acham que é porque, em sua sabedoria superior, as pedras não entendem nossas motivações mesquinhas, outras pessoas dizem que as pedras não conversam com os humanos simplesmente porque não têm interesse por reality shows. A segunda corrente de pensamento aborrece alguns cientistas de comportamento que dizem que as pedras são preconceituosas e por isso também não tem interesse de conversar com elas, mas na realidade estes cientistas são apenas uns ressentidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Existem relatos de que quando a notícia de que as pedras poderiam pensar se espalhou isso assustou muito alguns religiosos importantes, como o Papa. Não é muito bem documentado, mas durante o período de caça às bruxas houve uma atividade muito parecida denominada de caça às pedras, mas esta foi rapidamente abandonada. Alguns sacerdotes disseram que perseguir pedra não era tão desafiador quanto perseguir bruxas, e jogar pedras nas fogueiras também se mostrou muito decepcionante.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns teóricos estudam o movimento das pedras. Aparentemente a maioria decidiu que as pedras podem sim rolar por vontade própria, mas não o fazem. As pedras ficam paradas porque não tem nada melhor para fazer em outro lugar, e quando são derrubadas pelo vento, ou pessoas, chegam rapidamente à conclusão de que perder tempo voltando para onde estavam simplesmente para ficarem paradas lá não faria o menor sentido. Muitos cientistas argumentam que os estudos sobre a movimentação das pedras é a chave fundamental para entender seu raciocínio evoluído.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer forma era a missão do nosso querido repórter conversar com uma pedra. Ele se aproximou de uma pequena pedra, do tamanho da palma de uma mão, e disse:</p>
<p style="text-align: justify;">- Oi?</p>
<p style="text-align: justify;">- &#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Olha, vai ser muito constrangedor se você não disser nada.</p>
<p style="text-align: justify;">- &#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Você não entende. Minha carreira é uma piada, ninguém me leva a sério. Eu preciso de uma grande entrevista para poder procurar um emprego em um jornal mais sério.</p>
<p style="text-align: justify;">- &#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Por favor, tenha um pouco de compaixão. Eu estou trabalhando no mesmo lugar a 15 anos e até agora não consegui escrever uma matéria de que eu me orgulhasse.</p>
<p style="text-align: justify;">- &#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu entendo você. Quem vai querer conversar com um repórter como eu? Ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;">- &#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Curiosamente você não é o primeiro corpo sem vida que eu entrevisto. Outro dia mesmo eu entrevistei um vampiro.</p>
<p style="text-align: justify;">- &#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Aposto que você está pensando que foi uma entrevista muito interessante, mas não foi. Vampiros são criaturas amaldiçoadas com muito tempo e nada para fazer. Eles chupam seu sangue e roubam o seu dinheiro. É muito triste.</p>
<p style="text-align: justify;">- &#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Pensando bem você também tem muito tempo e nada para fazer, isso é, se realmente as pedras pensarem. Isso tudo pode estar sendo uma grande perda de tempo. Quando foi que eu me deixei levar por esta idéia de que as pedras pensam?</p>
<p style="text-align: justify;">- &#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Porque vocês dão pulinhos quando são arremessadas na água?</p>
<p style="text-align: justify;">- Nós não damos pulinhos &#8211; disse a pedra com ênfase na palavra pulinhos &#8211; isso é física.</p>
<p style="text-align: justify;">- Desculpa.</p>
<p style="text-align: justify;">- &#8230;</p>
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		<title>Entrevista com o vampiro</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jul 2008 03:30:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nigel Goodman</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anderson Leitão]]></category>
		<category><![CDATA[boate]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[diálogo]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[gótico]]></category>
		<category><![CDATA[promoter]]></category>
		<category><![CDATA[repórter]]></category>
		<category><![CDATA[vampiro]]></category>

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		<description><![CDATA[O repórter desceu do carro puto. Enquanto tem gente cobrindo guerras e ganhando prêmios ele continua sendo escalado para escrever matérias de comportamento e curiosidades. Desta vez fora escalado para entrevistar um vampiro e já estava contando os dias até ser enviado para conversar com uma pedra.
Anderson Leitão não estranhou nem um pouco a decoração [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O repórter desceu do carro puto. Enquanto tem gente cobrindo guerras e ganhando prêmios ele continua sendo escalado para escrever matérias de comportamento e curiosidades. Desta vez fora escalado para entrevistar um vampiro e já estava contando os dias até ser enviado para conversar com uma pedra.</p>
<p style="text-align: justify;">Anderson Leitão não estranhou nem um pouco a decoração de seda preta no quarto de hotel. Ele cumprimentou o vampiro com um aperto de mãos e rapidamente sacou seu gravador e um bloco de anotações.</p>
<p style="text-align: justify;">- Podemos começar logo?</p>
<p style="text-align: justify;">- Muito ansioso para entrevistar um vampiro?</p>
<p style="text-align: justify;">- Será o ponto alto da minha carreira &#8211; disse Leitão sorrindo. Na verdade havia sido um comentário sarcástico, mas Leitão não era bom sendo sarcástico e normalmente era tido como uma pessoa muito simpática e querida.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-114"></span></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-119" title="vampiro" src="http://www.nigelgoodman.com/blog/wp-content/uploads/vampiro.jpg" alt="Vampiro" /></p>
<p style="text-align: justify;">O vampiro era um homem de 1,67m, cabelo ralo e lábios tortos, provavelmente culpa dos caninos avantajados. Após alguns segundos de estranhamento era possível perceber que seu olho esquerdo era ligeiramente mais fechado que o direito.</p>
<p style="text-align: justify;">- Vamos começar. O que é que você faz?</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu sou vampiro.</p>
<p style="text-align: justify;">- Não quero saber o que você é, quero saber o que você faz.</p>
<p style="text-align: justify;">- Como assim o que eu faço? Eu sou um vampiro&#8230; Ah! Você está querendo saber sobre como é ser uma criatura imortal forçada a viver na escuridão, não é?</p>
<p style="text-align: justify;">- Na verdade não, mas a gente pode falar sobre isso depois. Vou reformular a pergunta. Você vive do que?</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu não vivo, estou tecnicamente morto.</p>
<p style="text-align: justify;">- Tecnicamente morto, do tipo que o seu cérebro não funciona mais?</p>
<p style="text-align: justify;">- Nem meu cérebro, nem coração, nem pulmões. Sou uma criatura amaldiçoada forçada a viver na escuridão&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Essa parte eu já peguei, mas como é que você faz pra pagar por este quarto de hotel, por exemplo?</p>
<p style="text-align: justify;">- Sou promoter de uma boate gótica.</p>
<p style="text-align: justify;">- Você é um vampiro promoter de boate gótica?</p>
<p style="text-align: justify;">- Isso. Alguns vampiros resolveram investir todo o dinheiro que eles tinham em fundos de ações e resgatar centenas de anos depois. Eles ficaram ricos fazendo isso.</p>
<p style="text-align: justify;">- Você não fez o mesmo por quê?</p>
<p style="text-align: justify;">- O advogado da minha ex-mulher conseguiu provar que mesmo que eu andasse por ai de noite eu estava tecnicamente morto, logo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Ela levou todo o seu dinheiro. Entendi. Não vou mentir para você não, mas esta entrevista não vai ser publicada de jeito nenhum como está. Precisamos de alguma coisa que chame mais atenção. Você falou que era forçado a viver na escuridão. Como é a vida noturna.</p>
<p style="text-align: justify;">- Pra mim que sou promoter de boate é agitadíssima.</p>
<p style="text-align: justify;">- Olha. Nada contra você ser promoter, mas esse não é o foco da matéria. Não pode mais falar em boate de agora em diante.</p>
<p style="text-align: justify;">Os dois se encararam por alguns momentos. Anderson Leitão praguejava mentalmente enquanto encarava os olhos dispares do vampiro. Puta que pariu ele não pisca!</p>
<p style="text-align: justify;">- Você não pisca!</p>
<p style="text-align: justify;">- Não pisco, não respiro, não&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">- Acho que isso pode dar matéria.</p>
<p style="text-align: justify;">- Oh, que maravilha!</p>
<p style="text-align: justify;">- Me fale sobre os seus poderes.</p>
<p style="text-align: justify;">- Na verdade eles são uma maldição que me seguirá até a eterniade.</p>
<p style="text-align: justify;">- Maldição da eternidade não vende jornal. Nós vamos chamar isso ai de super poderes. Ok?</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu tenho poderes incríveis.</p>
<p style="text-align: justify;">- Aposto que são &#8211; disse Leitão tentando ser sarcástico e falhando mais uma vez.</p>
<p style="text-align: justify;">- Você sabia que eu não apareço em espelhos?</p>
<p style="text-align: justify;">- Não, mas e ai?</p>
<p style="text-align: justify;">- E ai é isso.</p>
<p style="text-align: justify;">- É. Realmente não tem como chamar isso de super poderes. Vamos ter que apelar para o fato de você chupar sangue. A gente da uma embelezada pra não parecer repugnante para os leitores. Fale-me como você faz para chupar o sangue das pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu procuro vítimas sozinhas em lugares desertos e ajo rapidamente, como se fosse um assalto.</p>
<p style="text-align: justify;">- E ai você chupa o sangue delas.</p>
<p style="text-align: justify;">- Chupo o sangue e levo o dinheiro.</p>
<p style="text-align: justify;">- Isso não é como se fosse, isso é um assalto!</p>
<p style="text-align: justify;">- A renda de promoter é muito fraca.</p>
<p style="text-align: justify;">- Acho que está bom por aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">- Vai dar matéria?</p>
<p style="text-align: justify;">- Quem sabe algum blog publique.</p>
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