Mar 25 2009
Armandinho 3
- Vovô, vovô, quando você vai terminar a história?
- Que História?
- A história do nosso Pai.
- Ah! Claro que sim. Onde eu estava mesmo?
- Quando ele estava fugindo da polícia.
Armandinho havia matado um homem inocente e agora era procurado pela polícia. Para a sua sorte a polícia acabou o confundindo. Armandinho era um mendigo caolho, mas, como acontece em um telefone sem fio, uma patrulha se confundiu e prendeu um mendigo perneta em seu lugar.
Armandinho estava feliz. Fora procurado da polícia, mas acabou escapando por um triz. Se sentiu como um pirata. Se sentiu como seu pai. Seu único olho chorou. Muitos passavam por Armandinho neste momento, mas poucos conseguiram ver beleza em um mendigo caolho chorando. E a cena era realmente assustadora, comparável à uma baleia agonizando encalhada na praia. Horrível.
Quanto precisa sofrer uma pessoa para encontrar o próprio pai?
Armandinho estava desesperado, não poderia mais agüentar aquilo. Armandinho precisava se encontrar com o pai.
Armandinho resolveu mandar tudo para o inferno. Com um machado derrubou um coqueiro na praia durante a noite e com uma corda se amarrou nele. Depois se desamarrou e começou a pensar em um jeito de arrastar o coqueiro até a água para, então, se amarrar a ele novamente.
Alguns jovens de uma ONG chegaram cedo para ajudar algumas tartarugas que desovavam na água. Armandinho rapidamente os assustou com um pedaço de pau.
Mas tarde alguns velhos chegaram para jogar voley onde armandinho havia derrubado seu coqueiro. Armandinho estava dormindo e não percebeu enquanto os velhos empurravam o coqueiro. Como é de se esperar, os velhos não teriam motivo para empurrar o coqueiro até a água, logo não o fizeram, empurraram o tronco do coqueiro para o outro lado, 2 metros da lateral da quadra, e o suaram de banco.
Parecia o fim do sonho de Armandinho. E realmente era.
- Como assim vovô? Ele desistiu de procurar pelo senhor?
- Não. Ele só acordou.
Armandinho acordou e viu o que haviam feito com o seu tronco. Estava pronto para atacar os velhos com um pedaço de pau quando teve sua atenção desapertada por uma baleia que encalhava. Era sua chance.
Armandinho correu e, enquanto jovens de uma ONG ajudavam a desencalhar a baleia, ele se atou a ela com uma corda. Armandinho agora estava no mar e seria questão de tempo até encontrar com o seu pai.


