May 26 2008
Herói
Eu sei que muitos de vocês estão cagando para o que eu fiz no final de semana, mas eu vou contar mesmo assim. Talvez vocês tenham tido finais de semana incríveis, mas vai ser difícil alguém me barrar desta vez. Não quero ficar me achando nem nada, mas eu salvei a vida de uma indefesa criança e por isso de agora em diante eu me considero um herói, também.
Salvei a vida de uma criança! Sabe, aposto que se eu estivesse em São Paulo aquele dia eu pegava a Isabella no ar. Só não decidi ainda se eu sou um herói ou um anjo. To zuando, sou um herói mesmo.
Agora chega de falar de mim e vamos falar do que realmente aconteceu no dia que eu salvei uma criança e virei o maior herói nacional brasileiro. Tá, eu estou começando a exagerar, mas quem salvou uma criança pode exagerar. Sendo assim eu vou enfeitar toda a história.
Primeiramente preciso começar com o básico. Onde eu estava? Bom, eu estava em búzios, mais especificamente na praia de Geribá. Estava correndo com a minha namorada. Muitos que me vissem ali pensariam que se tratava de apenas mais um gordinho, mas muito carismático, fazendo exercício, tentando perder a barriga de chopp, mas não era nada disso. Eu estava fazendo a minha ronda matinal. Estava vasculhando a praia atrás de alguém em perigo. Eu sei, é um trabalho duro, cuidar dos outros enquanto eles se divertem, sem nem ao menos ser reconhecido por isso, mas esse é o meu dever. Grandes poderes trazem grandes responsabilidades, é verdade. E lá estava eu, fazendo a minha ronda.
Ia de um lado ao outro esperando um sinal, até que eu pressenti o perigo. Provavelmente fora o meu sexto sentido, como dizia o Shiryu: A intuição. Naquele momento eu soube que eu precisava alugar um kayak e, como quem fingisse que ia se divertir pegando ondas, eu deveria, na realidade, salvar a vida de uma criança. Na época que eu fazia aulas de kayak no Rio de Janeiro, eu não desconfiava que o destino me reservava um momento de provação, um BATISMO DE FOGO! Era a ultima provação antes do universo me consagrar herói.
Eu entrei com o kayak na água decidido. Meu olhar era sério. O vento balançava os meus cabelos e me lançava em direção ao meu destino, e eu seguia resignado. Pulei sobre o barco, finquei meus pés e dei as primeiras remadas. Nesse momento eu não virei. Segui remando. Era um momento sério, eu não sorria, eu não desviava a minha atenção. Nada ia me fazer perder aquela criança. Nada! Remei mais um pouco enfrentando a fúria do elemento que me circulava e foi então que ouvi os gritos:
- Moço, moço, moço! Moço me ajuda! Salva meu filho! Moço, salva meu filho! Pelo amor de Deus, moço!
Essa era a hora. O momento do trinfo. Cheguei glorioso sobre o kayak. A luz refletia nos meus cabelos castanhos e meu olhar míope me dava o charme que faltava. Jogue a criança sobre a embarcação, mulher, que eu a salvarei. Eu a salvarei! E a mãe desesperada me obedeceu, depositando suas ultimas esperanças em mim. E eu não podia falhar. Eu puxei o barco nadando contra a corrente que nos empurrava em direção às pedras e À MORTE. Eu nadei o mais rápido que pude até meus pés tocarem o chão e então puxei o barco até a areia, ou até a glória, como alguns diriam.
Mas e a mãe do moleque? Sei lá da mãe do moleque. Acho que um outro cara salvou ela… O Moe.



