Archive for the 'textos' Category

Jan 29 2010

laicilop ecnamoR

Published by Nigel Goodman under textos

Você está prestes a ler trechos de um romance policial.

Este é o primeiro capítulo, aquele em que a empregada encontra o corpo.

A empregada subiu as escadas. Ela bateu na porta e ninguém respondeu. Ela não havia visto seu patrão se levantar e ele não apareceu para o café da manhã. Será que ele havia dormido em casa? Ela tocou a maçaneta da porta, mas não a abriu. Ela preferiu bater mais uma vez. Novamente sem resposta. A empregada girou a maçaneta e o grito que deu poderia ter sido ouvido da casa inteira. O antigo militar estava ali, morto, deitado na sua cama em meio aos lençóis ensanguentados e vestindo seu pijama de seda. Sua roupa estava rasgada, mostrando o corte profundo em sua barriga. A empregada segurou firma a maçaneta para não cair no chão. Aos poucos ela foi recuperando o equilíbrio. Ela desceu e chamou a polícia.

Este é um daqueles romances policiais em que você fica até o final tentando descobrir o assassino.

Este é o terceiro capítulo – aquele em que os policiais não fazem idéia de como ocorreu o assassinato.

As portas não foram arrombadas. Não havia marcas de luta. Nenhum vizinho ouviu ou viu qualquer coisa fora do ordinário. De tudo, o que mais espantou os policiais foi o fato de só existir sangue na cama. O assassino surpreendeu o general enquanto este dormia, mas por que esta escolha de arma? E como ninguém ouviu nenhum grito no meio da noite? A morte certamente não foi instantânea, mas mesmo assim o general não pareceu demonstrar qualquer resistência. E o assassino aparentemente não deixou nenhuma digital, nem nada que pudesse servir como pista para a polícia.

- É como se ele tivesse surgido aqui dentro, matado o general com a faca e desaparecido, como em um truque de mágica – disse o jovem investigador da polícia.

- Ou então esta cena do crime foi fabricada – considerou o policial mais experiente.

Mas este não é um romance policial comum. Não é o assassino que nós temos que descobrir quem é.

Este é o sétimo capítulo, aquele em que conhecemos o assassino.

Estou cansado de me esconder. Quanto tempo eles vão demorar para perceber que sou eu atrás da cortina? Quando será que vão reparar os pés? Mas precisava ser feito e eu fiz da melhor maneira que eu pude. Não me resta mais nada a fazer. Preciso continuar vivendo minha vida normalmente, sem levantar qualquer suspeita e com o tempo as pessoas se esquecerão deste crime e se esquecerão de procurar por um culpado. As pessoas vão esquecer.

Edgar tentou dormir mais uma vez e não conseguiu. Foi até a cozinha e tomou um gole de whisky para acalmar. Tomou outro gole. Tomou mais duas doses. Ele respirou fundo e voltou ao quarto. Deitou e dormiu um sono ruim. Falou muito durante o sono e de manhã acordou como se não tivesse descansado.

Neste romance nós conhecemos o assassino. Nós não conhecemos o detetive.

Este é o nono capítulo, aquele em que os policiais recebem a ajuda de um investigador misterioso.

- O senhor vai querer ver isso – disse o jovem investigador da polícia.

Chegou na delegacia uma caixa de papelão. Sem remetente. Não fora enviada pelos correios, mas ninguém percebeu quem a deixara. Quem presta atenção na correspondência? São tantas pessoas entrando e saindo da delegacia de uma cidade movimentada que você para de prestar atenção.

Após um exame cuidadoso os policiais abriram a caixa e dentro havia duas coisas. Uma era uma seringa aparentemente usada. A outra era um bilhete.

O bilhete escrito a mão dizia o seguinte: “Peço desculpa por retirar isto da sua cena do crime. Fiz uma analise aprofundada do conteúdo desta seringa e descobri que se trata de um potente tranquilizante. Acredito que vocês encontrarão uma picada no seu cadaver mais famoso. Acho que isto explica porque ele não gritou nem reagiu e apenas ficou deitado enquanto alguém abria a sua barriga com uma faca. Mais uma vez, me desculpem por tê-la removido da cena do crime. Espero que entendam que eu agi com a melhor das intenções.”

- O que você acha disso? – perguntou o jovem.

- Parece que mais alguém está investigando este caso. Não faço idéia do motivo, nem se isso nos ajuda ou nos atrapalha.

- Acho que ajuda. A não tinha nem visto a marca no corpo.

- Tem razão. Só espero que ele não esteja escondendo mais provas.

E no fim temos a grande revelação e uma chocante surpresa.

Este é o último capítulo, aquele em que o romance se resolve.

E então os policiais voltaram à cena do crime e encontraram com um homem vestindo traje social e blazer claro. De volta à cena do crime estava Edgar.

Ele começou seu discurso e contou à polícia como tudo ocorrera. Ele disse que o general havia sido dopado na sala e então arrastado escada a cima vagarosamente. Já no quarto suas roupas foram trocadas por seu pijama. O general foi colocado na cama e então teve sua barriga perfurada com uma faca do seu próprio faqueiro. Mas quem poderia ter feto isso sem que fosse percebido? Edgar, o vizinho da porta ao lado? Não.

A empregada – disse Edgar. – Ela fez tudo isso no fim do seus expediente anterior. Ela voltou no dia seguinte normalmente e então fingiu que havia descoberto o corpo.

A empregada protestou, mas acabou ficando nervosa e resolveu tentar fugir. Os policiais correram atrás dela, mas no nervosismo ela caiu da escada e bateu com a cabeça. A queda foi fatal.

A empregada morreu uma morte convincente demais. Os policiais ficaram satisfeitos e deram o caso por encerrado. Ela tinha a oportunidade e sabe-se lá quanto ela conseguiu roubar que nunca seria descoberto. O caso estava encerrado para a polícia.

Os policiais agradeceram Edgar, o investigador particular que conseguiu decifrar o assassinato quase perfeito do velho general.

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Jan 23 2010

DOURADO

Published by Nigel Goodman under textos

Este é um post sobre o Marcelo DOURADO e sobre o BBB10. Se você acha que que BBB é um programa imbecilizador, e que está contra a corrente em um mundo que não te entende, e por isso está pensando em nem ler este post; se você está pensando em se isolar e gritar sozinho contra uma multidão do tamanho de um continente; você tem mais em comum com Marcelo DOURADO do que você pode imaginar.

DOURADO é o grande vilão desta edição. É odiado pelo público e alvo dos outros participantes do reality show. Ele é um vilão, mas no entanto nunca se envolveu em nenhum barraco, nenhuma briga, não combinou votos e muito menos foi desleal. Ele é o vilão em um universo sem heróis.

Na realidade, DOURADO é humano. Em uma casa onde todos se conheceram a semanas, mas já são amigos de infância; em uma grande reunião de família onde todos estão felizes de se reencontrar e cada um é um primo bem sucedido; DOURADO não parece se encaixar. Mas qual a diferença de DOURADO para todos nós? Vivendo nossas vidas medíocres, sem conseguir entender aquilo que motiva as pessoas à nossa volta. Ele é DOURADO em um mundo de coloridos.

Acontece que DOURADO já desviou de mais balas do que qualquer um. Se o BBB é marcado pelas suas panelas, DOURADO fez uma panelinha com o próprio DEUS. DOURADO já foi eliminado antes, mas voltou. Seu grupo perdeu a prova, mas mesmo assim ele foi indicado para entrar na casa. Mesmo com todos querendo o seu pescoço, mesmo sendo certa a sua eliminação no paredão, ele foi imunizado pelo anjo – anjo este que reconheceu ter esquecido a razão neste momento e ter agido apenas com o coração. Seria inspiração divina? Mais uma vez depois disso DOURADO conseguiu imunidade. Todos querem tirá-lo, eliminá-lo da casa, mas o destino parece querer negar esta oportunidade.

DOURADO segue lutando, mas sem saber contra o que. Ele não tem idéia do que se passa ao seu redor. Ele é um naufrago em alto mar no meio de uma tempestade. DOURADO não pensa em desistir e, sem conhecer o seu destino ao qual está fadado, ele constrói seu próprio futuro.

Torcer por Marcelo DOURADO é conseguir encontrar no seu coração aquela esperança ingênua. É alimentar aquele sonho de que o impossível pode acontecer e que tudo ainda pode mudar. Torcer por DOURADO é acreditar que nós também podemos enfrentar nosso destino e vencer em um mundo de adversidades.

Enquanto DOURADO estiver no BBB nada é definitivo. O aquecimento global ainda pode ser revertido, pode haver paz entre as religiões e o mundo ainda pode ser feliz.

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Nov 11 2009

Blackout

Published by Nigel Goodman under textos

As vezes a gente assiste tanto filme e joga tanto vídeo game que a vida real perde um pouco a graça.

Juro que senti um pouco de decepção quando ouvi no rádio um cara explicando os motivos do apagão de ontem.

Quando as luzes apagaram eu estava no centro da cidade, que é o grande centro comercial do Rio de Janeiro com grandes prédios comerciais. Ver tudo aquilo apagado foi bem bacana. Ainda mais porque não estava totalmente apagado, existiam algumas luzes aqui e ali para dar um clima. Era uma vibe meio futuro apocalíptico.

Não via a hora de começar a saquear tudo aquilo. Juntar alguns amigos e sair por aí dirigindo aproveitando o caos do trânsito para aterrorizar famílias assustadas que tentavam voltar para casa. Um pouco de ultraviolência seria divertido.

E qual seria o motivo para tudo aquilo? Invasão alienígena? Ou quem sabe alguma guerra, um ataque estrangeiro, ou um atentado terrorista, alguma manifestação mais violenta? Quanto tempo ficaríamos sem luz? Dias, meses, anos? Vivendo no escuro, tentando sobreviver à violência noturna.

Seria o maximo.

Aí, enquanto via a  luz voltando escutava um cara dizer no rádio que tinha acontecido qualquer coisa com o fornecimento, mas tudo já estava se normalizando.

Sem graça.

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Nov 09 2009

Esquetes para fantoches

Published by Nigel Goodman under textos

Depois do incrível sucesso de “Artista“, uma esquete sobre vencer preconceitos e seguir seus instintos, eu preparei mais algumas esquetes para serem interpretadas por fantoches, marionetes, ou você e seus amigos do condomínio, claro.

Menino – É verdade que o senhor está fazendo sexo com a minha mãe?

Homem – … Nesse momento eu não estou

Homem 1 – Se eu fosse um ninja você estaria morto agora.

Homem 2 – Se você fosse um ninja a gente não tinha perdido o ônibus.

Homem 1 (emocionado) – Você ama o seu filho?

Homem 2 (emocionado) – Amo sim senhor.

Homem 1 – O senhor está preso.

Índio – Você já tomou banho de cachoeira?

Homem – Já.

Índio – Eu fiz xixi na água.

Rapaz 1 – To cansado de tudo isso.

Rapaz 2 – Não se mata cara.

Rapaz 1 – Eu não vou me matar.

Rapaz 2 – Ainda não.

Rapaz 1 faz cara de assustado.

Apostador 1 – Sai 6 no dado. 6 no dado porra!!

Apostador 2 – 6!!!

Apostador 1 – Porque jogar um contra o outro se somos amigos?

Apostador 2 – Usando só um peão todos sempre ganham.

Pai 1 – O seu filho cuspiu no olho do meu filho.

Pai 2 – Aquele não é o seu filho. Aquilo é uma pedra.

Pai 1 – Vai lá e pega o seu filho pelo braço.

Pai 2 – Aquele também não é meu filho, aquele é um mendigo.

Pai 1 – Qual o nome dele?

Pai 2 – Não sei.

Pai 1 – Você ama o seu filho?

Pai 2 – Ele não é meu filho.

Pai 1 e Pai 2 se encaram. Pai 2 deixa escapar um sorriso

Pai 1 – O senhor está preso.

Homem 1 – Tu gosta de sorvete?

Homem 2 – Gosto

Homem 1 – Muito interessante.

Detetive – Eu já descobri quem matou a vítima.

Assassino – Fui eu!

Detetive – Ei, esse era o meu grande momento.

Assassino – Bwahaha

Assassino sai correndo por uma porta aberta.

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Nov 02 2009

Artista

Published by Nigel Goodman under textos

O esquete a seguir foi feito para ser interpretado por bonecos de meia, fantoches, ou você e seus amigos do condomínio.

filho (off) – Mãe, terminei. Me limpa.

mãe – Usa o bidê que eu to vendo a novela.

pai – Assim o garoto vai virar homossexual Rosana.

Filho (off) – Mãe eu consigo encher meu bumbum de água e esguichar longe

Mãe – Nosso filho vai ser artista Nelson.

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Oct 21 2009

Considerações sobre proteses

Published by Nigel Goodman under textos

Depois que eu fiz minha tattoo de caveirinha algumas pessoas começaram a me dizer que só estava faltando um tapa olho.

Por incrível que pareça não achei nada de errado na idéia do tapa olho. Calma! Não achei nada errado hipoteticamente, caso eu não tivesse um dos olhos. Passei um tempo pensando nessas coisas, e acabei concluindo que em qualquer caso a alternativa pirata sempre é melhor que a outra.

Vou convencer vocês agora.

Tapa Olho X Olho de Vidro

Você já conversou com alguém com um olho de vidro? É terrivel. Rapidamente pode até passar despercebido, mas quando você fica muito tempo olhando uma pessoa dessas nos olhos você acaba percebendo.

O olho de vidro é igualzinho ao outro olho na teoria, mas na prática ele fica assustadoramente parado enquanto o outro olho se movimenta. No início da conversa você não consegue entender o que está acontecendo, mas com o passar do tempo a certeza de que alguma coisa esta terrivelmente errada com a cabeça da pessoa à sua frente. Até que você percebe. “Aquele olho ali está morto”.

Nesse tempo que você levou para perceber que a outra pessoa tem um olho de vidro você deve ter encarado o olho falso bastante. Você não teve culpa, você não sabia que era falso. Será que a pessoa percebeu que você estava examinando o olho falso dela? E o pior de tudo é que, depois que você passa horas olhando para o olho de vidro, na hora que você percebe, é muito provável que você deixe escapar uma expressão de espanto. Mesmo sem essa breve expressão de espanto, que pode se resumir a uma leve arregalada de olhos, o seu repentino desconforto e o esforço para não olhar em direção ao olho de vidro – seus olhos vão começar a se movimentar nervosamente escolhendo um novo ponto para repousar na face desta pessoa – vão fazer com que fique obvio que alguma coisa aconteceu.

Agora você tem a difícil tarefa de controlar os seus olhos, que se sentem atraídos pelo olho de vidro do infeliz. Você vai ter muita dificuldade de olhar para o olho certo da pessoa, é muito próximo do olho falso. Você vai tentar olhar para a boca, mas quem é que fica olhando para a boca de alguém enquanto conversa? Você precisa fazer contato visual. Vai tentar disfarçar olhando para a testa da pessoa? Isso vai ser terrivelmente desagradável para ela. Olhar para o nariz é estranho. Tente o olho certo mais uma vez. Será que ele consegue perceber que você está se esforçando? Percebe que seus olhos não se movimentam mais naturalmente?

Agora vem a parte mais cruel, mesmo que o nosso amigo não tenha percebido o seu desgaste emocional tentando evitar o olho de vidro dele, você não estava conseguindo prestar atenção na conversa nesses últimos momentos estava? Você nem deve ter se preocupado com a conversa. Você só foi ser trazido de volta para a realidade pelo:

- Não acha?

Ah, não acha é sempre fatal. O que você vai dizer agora?

- Hum… Acho!?

- Então vou comprar um tapa olho.

Ufa, olha só que surpresa do destino meu amigo.

O tapa olho é mil vezes melhor. Ele simplesmente impede que você olhe para onde você não deve. E se por acaso você fica olhando para o tapa olho a outra pessoa nunca vai se sentir ofendida, porque ela não está tentando disfarçar que é caolha. As pessoas esperam que você repare em um tapa olho. Ninguém coloca um tapa olho e espera que as pessoas digam “nem da pra perceber que perdeu o olho”. É como se a pessoa dissesse “ok, perdi esse olho aqui, não tem problema, mas o que eu estava dizendo era o seguinte”. E se você se sentir desconfortável com o tapa olho, você tem a opção de não conversar com a pessoa desde o início, não é algo que de repente te pega de surpresa.

Gancho X Mão Protética

Qual a utilidade daquelas mãos de plástico? Nenhuma. Ela só está ali para disfarçar a mão que você perdeu. Funciona como aquelas fotos que vem nos porta retratos. Você não conhece aquela gente, não quer uma foto deles, mas elas ficam ali para ajudar você a visualizar o porta retratos. Aquela mão também não é sua mão, você não consegue utilizá-la para nada, mas ela fica ali para explicar a existência do braço. “Ah, ok, é pra usar com uma mão”. Ajuda os outros a visualizarem. A mão falsa é bizarra, e quando você chega em casa você tira ela, mas na rua serve para as pessoas entenderem que era pra você ter uma mão ali, mas que você não tem.

Você entrega alguma coisa para a pessoa segurar. Ô ou, mão de brinquedo. Situação constrangedora. Ela pega com a outra mão.

Você se ajoelha, tira uma aliança do bolso… você tem dificuldade abrindo a caixinha porque uma das suas mãos é um pedação de plástico e acaba tirando toda a magia do momento. Sua garota resolve que não quer ficar com alguém que não tem uma mão e foge sem te avisar. Você morre sozinho.

Se você tem um gancho, meu amigo, você está feito. Claro que o gancho não substitui uma mão, mas ele ainda tem alguma utilidade. Você digita usando quantos dedos da mão esquerda? 1? Poderia continuar usando o gancho tranquilamente para fazer o que você faz. Você pode pendurar alguma coisa no gancho e pode agredir alguém em uma briga. E o principal, nenhuma garota vai abandonar você por causa do seu gancho, porque ela não tinha como ignorar o gancho desde o começo. Ou ela se incomodava com o gancho no início ou ela não se incomodava. Ninguém acorda um dia e se cansa de um gancho. Se ela aceitou namorar com você é porque, ainda por cima, tem tesão nesse gancho.

Perna de Pau X Perna Mecânica

Ok, enquanto nas outras situações a coisa era mais visível, nesta aqui a diferença não é tão grande. Se você levar em conta que pessoas normalmente usam calças e não bermudas, realmente não faz muita diferença o que você vai estar usando para sustentar o seu corpo, já que ninguém vai ver.

Na hora do sexo não vai ter jeito. O menos pior eu imagino que seja tirar qualquer prótese que você esteja usando e aparecer com o cotoco de fora mesmo.

Então, se não faz diferença, opte pelo mais barato. Qualquer pedaço de pau serve!

Viu? Ser um pirata compensa.

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Sep 30 2009

Eu entendo os ascensoristas

Published by Nigel Goodman under textos

Ascensoristas de elevador são uma espécie de guia turístico dos prédios comerciais. É claro que qualquer um consegue apertar o seu próprio andar, mas não é esse o ponto. Quando você viaja para a savana você também poderia sentar sozinho no jeep e ir quieto observando e tirando fotos, mas não, você precisa de um guia. Você precisa de alguém pra te dizer “look, a lion”.

Você se sente mais seguro, porque se por acaso o cara disser “look, a velociraptor” você confia que ele vai impedir que o velociraptor te coma. Do mesmo jeito você está ali, achando que se o elevador começar a cair ele aperta o botão do paraquedas, ou sei lá.

Mas eu entendo. A verdadeira função do ascensorista é a de exigir que os gordinhos tenham vergonha na cara. Porque gordinho não quer nem saber. Se cabem 8 pessoas, mas só tem 7 pessoas eles acham que eles podem entrar também. E o ascensorista está ali para fazer o mais difícil que é dizer para o gordinho que ele não vai entrar.

O ascensorista é o único profissional preparado para discutir direitos humanos e dignidade de pessoas acima do peso segurando um elevador lotado de pessoas muito atrasadas para suas consultas no médico. Caso nada funcione o ascensorista aceita ser o mártir, ele faz o que você gostaria de fazer mas não é capaz. “Sim senhora, eu sei que o elevador não vai cair, mas ninguém quer ficar se esfregando nas suas banhas.” Nobres guerreiros anônimos.

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Sep 25 2009

Haikai

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Haikai é um tipo de poema japa que funciona assim: São só três versos. O primeiro e o último verso têm cinco sílabas, enquanto o segundo tem sete sílabas. Pronto. Isso é um Haikai.

fiz um haikai, ok?
é um haikai bolado
mas já terminou

Nigel Goodman

Haikais são extremamente curtos e por é sempre engraçado ler algum haikai sério, porque quase sempre acaba ficando meio idiota por causa da limitação das sílabas. Olha só o de um profissional como é.

Dia de Finados
Formigas carregam
Pétalas que caem.

Jorge Lescano

Dia de finados? WTF? Mas ficou poético.

A única pegadinha é que não são sílabas normais, são sílabas poéticas. Só pra você se ferrar contando as sílabas errado mesmo.

alguém vai dizer
que estou fazendo errado
mas que se foda

Nigel Goodman

Mas eu não me importo, números são tão insossos, deveriam ser usados números poéticos, capazes de medir corretamente o sentimento que o poeta quer transmitir. 1 + 1 = angustia e sofrimento. Matemática poética.

Olha só, estou divagando. Vamos direto ao ponto. Fiz alguns haikais no twitter de brincadeira e resolvi colar eles aqui.

eu aposto que
#haikaifacts não vai chegar
no trending topics

Nigel Goodman

Possivelmente feitos errado, já que eu não quis perder muito tempo relembrando como contar sílabas poéticas direito. Mas também, quem aqui realmente se importa com isso de sílabas contadas certo? O importante é a diversão. Façam seus haikais também.

é o twitter arte
que vem lá do oriente
- se bolou agora

Nigel Goodman

poderia dizer
algo mais poético
mas é melhor não

Nigel Goodman

Imortalizando o trote do Pareto nos meus versos.

tem voz fina sim
grandes merda que você é
um advogado

Nigel Goodman

Jeremias muito doido, em versão onírica.

so cabra macho
eu matava mais de mil
bebi com o cão

Nigel Goodman

Linda homenagem ao sucessor de Togakuri.

ninja jiraya
espada olímpica
irmão manabu

Nigel Goodman

Minha releitura de Aquarela do Brasil.

Por gentileza
desenhem aquilo que
vocês conhecem

Nigel Goodman

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Sep 07 2009

Então, você trabalha escrevendo roteiros para Hollywood

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Então, você trabalha escrevendo roteiros para Hollywood e teve uma idéia brilhante. Vamos ser mais específicos um pouco. Você teve uma idéia brilhante para um filme de ação.

Liga pro Bruce Willis. Ligou? Ótimo. Agora diz pra ele que ele vai precisar dirigir um carro, em cima de um barco, enquanto atira em um submarino com um lança foguete. Ele está empolgado? Que maravilha.

Seu filme tem uma trama sensacional mesmo. Muita ação sem sentido justificada por uma trama muito bem bolada que envolve corrupção dentro das forças armadas americanas, venda de armas para países terroristas e uma tentativa de golpe.

Para evitar que militares malvados deponham o presidente a força e se aliem aos árabes, Bruce Willis vai ter que se pendurar em um helicóptero e atirar em uma moto com um lança chamas. E o Bruce Willis vai ter que fazer tudo isso sozinho, porque ele se meteu no meio disso tudo sem querer, quando ele pegou o pacote errado na lavanderia e acabou encontrando um bilhete muito revelador.

É claro que o governo americano vai descobrir esse engano muito rápido, e a partir disso o Bruce Willis passa a ser perseguido. Então, ou o Bruce Willis salva o presidente, os EUA e o mundo – porque os árabes estavam planejando explodir todos os países bons do mundo –, ou ele vai ser capturado pelos militares maus e assassinado.

Está tudo uma maravilha até aqui. Teu filme está show. Não é profundo, não é marcante, não é nada. É um filme de ação, com ação. É entretenimento de primeira.

Manda para os produtores. Eles gostaram? Não? Que coisa rapaz. Já sei, faz algumas modificações.

Coloca umas gostosas no filme, que tal? Os militares seqüestram a filha, a mulher e o cachorro do Bruce Willis, o que faz com que ele tenha que escolher entre, salvar o presidente, se salvar, ou salvar sua filha, sua mulher e seu cachorro.

O que será que Bruce Willis vai escolher? As três opções, claro. Mas para isso ele vai ter que pilotar um cavalo, perseguindo um skate enquanto atira tijolos que ele carregava em uma mochila.

Está muito legal. Mas e agora? Como vamos conseguir concluir tudo isso. Vamos colocar um gordo alívio cômico que mora em um porão e come pizza. Essa sim é uma saída de gênio. Aí ele entra na internet e resolve tudo. Ele conhece um cara, que conhece outro cara, que viu em um fórum uns códigos de acesso. Aí ele faz todos os sinais de trânsito ficarem vermelhos fazendo um engarrafamento gigante. Quebra todos os bancos. Manda um power point para o e-mail dos árabes e rastreia a van que os militares estão usando para transportar uma bomba. Ele localiza a filha do Bruce Willis rastreando o seu celular e dá RT em um tweet muito engraçado.

O hacker resolve tudo, mas não completamente. Porque ainda falta a mulher do Bruce Willis que estava sendo levada para os árabes pelo General Wilkson.

Na cena final Bruce Willis salta de paraquedas de um tapete voador. Aí salta do paraquedas e cai em um rolamento Le Parkour. Dá um tiro no peito do General e leva um tiro nas pernas. Bruce Willis desmaia e acorda em um hospital. Alguém fala alguma coisa, o Bruce Willis ri e depois fica sério do nada. Fim.

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Aug 28 2009

Google Medic

Published by Nigel Goodman under textos

O Google Medic é um portal de medicina e diagnósticos interativo do Google.

É um serviço beta onde os usuários, de forma cooperativa, escrevem diagnósticos para problemas de outros usuários. Funciona de forma semelhante ao yahoo perguntas, mas totalmente anônimo, para que ninguém saiba qual doença você tem.

O serviço não substitui um médico, mas ajuda quando você tem um desconforto menor e quer tomar um remédio, mas não é nada tão sério que você queira perder um dia de trabalho no consultório. Você simplesmente navega até o google medic, coloca os seus sintomas e espera até alguém te receitar um medicamento.

Tudo isso será financiado pelos milhões que vão entrar através de anúncios Google Adsense de farmácias e medicamentos.

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