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Edgard encontra Alice

Edgard saiu da caverna com vida. Muito pouca vida, mas ainda sim com vida. Na caverna ele havia encontrado uma espada nova que dava muito mais dano que a anterior e havia ficado muito feliz com isso. Tão feliz que achou que era uma boa idéia enfrentar alguns inimigos desnecessários só para passar de nível. Quase morreu. Mas agora ele havia saído pelo outro lado da caverna e um pouco a frente havia uma cidade.

No caminho da cidade Edgard encontrou com uma jovem moça.

- Olá. Eu sou Edgard, filho do meu pai.

- Ok.

- Você gostaria de se juntar ao meu grupo?

- Acho melhor não.

- Devo voltar aqui com mais nível?

- Acho que não.

- Com algum item especial?

- …

- Com mais dinheiro?

- Eu estou sem nenhum. Quanto você tem ai?

- 5.000 peuts.

- Não conheço essa moeda. Quanto dá isso em dólares?

- Não conheço este item.

- Ok!

- Você se juntou ao meu grupo?

- Você é de igreja?

- Eu sou um guerreiro, mas talvez pegue alguma classe de clérigo.

- Essa conversa está realmente estranha.

- Você é uma personagem muito misteriosa, com certeza se juntará ao meu grupo.

- O que é esse seu grupo?

- Você andaria comigo e enfrentaria bestas do outro mundo para impedir que um mago maligno abra um portal para o inferno. Mas eu tenho quase certeza que mesmo que a gente mate o mago o portal se abrirá e nós teremos uma última luta contra o diabo.

- Olha, isso parece bastante legal, mas eu tenho meus próprios problemas. Eu estava seguindo um coelho e acabei caindo aqui. Não sei muito bem como isso pode ter acontecido. Agora eu preciso dar um jeito de voltar para casa.

- Hum. Aposto que no final da aventura você vai dizer que a sua casa é aqui e se casar comigo.

- Não, eu não vou.

- Você vai ver.

- Não eu não vou.

- De qualquer forma… Você gostaria de se juntar ao meu grupo? Eu te ajudaria a achar o caminho de casa enquanto você me ajuda a enfrentar o mal.

- Isso não parece muito promissor, mas já que eu não estou fazendo nada mesmo…

Alice se juntou ao grupo!

Edgard e Alice seguiram até a cidade e lá encontraram um velho parado junto à entrada.

- Bem vindos a Lion City – disse o velho.

- Você poderia me informar onde eu encontro uma farmácia? – Alice perguntou ao velho e este não respondeu. – Oi – insistiu Alice.

- Bem vindos a Lion City – disse o velho novamente.

- Esses velhos normalmente só dizem isso, você deve conversar com mais pessoas até ter a sua resposta – argumentou Edgard.

- Não faria mais sentido se ele respondesse?

- Ele não vai responder.

- Porque não?

- Não sei. Mas ele não responde.

- Meu senhor, será que o senhor teria o bom senso de me explicar onde fica uma farmácia? Eu realmente preciso comprar um remédio. Meu amigo aqui está dizendo que o senhor só repete a mesma frase, mas nós sabemos que isso é ridículo.

- Bem vindos a Lion City.

- Vai se foder.

Edgard não sabia o que era uma farmácia, mas como ele só conhecia duas lojas, uma de armas e uma de poções, e já que remédio não parecia ser o nome de nenhum tipo de arma, Edgard resolveu levar Alice à uma loja de poções.

- Eu gostaria de vender estes reagentes e comprar 30 poções vermelhas.

- E a menina, o que vai querer?

- AZT.

- Nós não temos este item.

- Também nunca ouvi falar desse item – complementou Edgard.

- Olha gente, eu realmente preciso deste remédio. Não sei como as coisas funcionam neste mundo bizarro de vocês, mas eu preciso tomar AZT agora e eu como eu não trouxe o meu comigo eu vou precisar comprar um.

- Não vai ter como. O que este AZT faz? Talvez eu tenha alguma poção que substitua ele.

- Não vou tomar nenhuma poção pra AIDS.

- O que é aids?

- Uma doença.

- Eu tenho uma poção de cura aqui – interrompeu Edgard – ela cura doença e veneno.

- Olha, isso é sério. AIDS é uma doença séria.

- Causa dano irreversível aos seus atributos? – Edgard estava curioso.

- Não. Mata!

- Ah! Porque não disse antes. – Edgard parecia contente com a resposta.

- Porque eu não gosto de comentar isso com desconhecidos.

- É só você morrer que eu revivo você no padre.

- Melhor não.

- Eu tenho lágrimas de fênix – disse o vendedor.

- Acho que também não é uma boa idéia.

- Quem sabe se você passar de nível a doença vá embora.

- AIDS não vai embora!

- Aposto que essa sua AIDS vai trasformar você em alguma espécie de monstro dificílimo de matar. Algum tipo de subchefe.

- Não. AIDS mata.

- Olha só. Essa é a história de Edgard 3. Eu já aprendi como estas coisas funcionam.

- Oi?

Edgard deu um golpe de espada e matou Alice.

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{ 8 } Comments

  1. GuiFig | Wednesday, 3 September, 2008 at 5:37 pm | Permalink

    Euri.

  2. Savoy | Wednesday, 3 September, 2008 at 11:43 pm | Permalink

    Fantástico. *.*
    me lembrou a época em que eu era viciada jogava Guardian-s Crusade. ou eu acho que o nome era esse. bem… que seja, o texto é incrível e é isso que conta, certo?

  3. Bernardo Zirpoli | Thursday, 4 September, 2008 at 1:05 am | Permalink

    Do caralho. Acho que o que falta nos MMORPGs é a presença da AIDS. Com isso, a web vira 3.0.

  4. Bernardo Zirpoli | Thursday, 4 September, 2008 at 1:06 am | Permalink

    Por falar nisso, acho que não se toma mais AZT não. As drogas mais modernas tem outros nomes, como ciclonavir e indinavir.

  5. Nigel Goodman | Thursday, 4 September, 2008 at 11:04 am | Permalink

    Valeu galera =)

    @Bernardo
    Eu imaginei esse lance do azt, mas só tive saco de pesquizar por uns 3 minutos. Odeio passar informação errada, mas espero que ninguém tome nenhum medicamento baseando-se nesse blog.

  6. Bernardo Zirpoli | Thursday, 4 September, 2008 at 12:56 pm | Permalink

    Tarde demais, Nigel! Tomei AZT e me transformei num subchefe!

    GRRRROOOOAAAAARRRRR!!!!

  7. Douglas Neves | Thursday, 4 September, 2008 at 5:09 pm | Permalink

    Sensacional!
    Me lembrou muito “Phantasy Star” de Master System e Mega Drive, hahahaha!

    Legal ele saindo da caverna e matando uns monstros sem motivo!
    Muito engraçado! :)

  8. Lucas | Friday, 5 September, 2008 at 6:49 pm | Permalink

    Nigel, o neto de Betinho leu este post, tomou AZT e morreu.

    Isso é ridículo, AIDS nem é hereditária.

    Deve ter sido outra pessoa então.

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