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Você está prestes a ler trechos de um romance policial.
Este é o primeiro capítulo, aquele em que a empregada encontra o corpo.
A empregada subiu as escadas. Ela bateu na porta e ninguém respondeu. Ela não havia visto seu patrão se levantar e ele não apareceu para o café da manhã. Será que ele havia dormido em casa? Ela tocou a maçaneta da porta, mas não a abriu. Ela preferiu bater mais uma vez. Novamente sem resposta. A empregada girou a maçaneta e o grito que deu poderia ter sido ouvido da casa inteira. O antigo militar estava ali, morto, deitado na sua cama em meio aos lençóis ensanguentados e vestindo seu pijama de seda. Sua roupa estava rasgada, mostrando o corte profundo em sua barriga. A empregada segurou firma a maçaneta para não cair no chão. Aos poucos ela foi recuperando o equilíbrio. Ela desceu e chamou a polícia.
Este é um daqueles romances policiais em que você fica até o final tentando descobrir o assassino.
Este é o terceiro capítulo – aquele em que os policiais não fazem idéia de como ocorreu o assassinato.
As portas não foram arrombadas. Não havia marcas de luta. Nenhum vizinho ouviu ou viu qualquer coisa fora do ordinário. De tudo, o que mais espantou os policiais foi o fato de só existir sangue na cama. O assassino surpreendeu o general enquanto este dormia, mas por que esta escolha de arma? E como ninguém ouviu nenhum grito no meio da noite? A morte certamente não foi instantânea, mas mesmo assim o general não pareceu demonstrar qualquer resistência. E o assassino aparentemente não deixou nenhuma digital, nem nada que pudesse servir como pista para a polícia.
- É como se ele tivesse surgido aqui dentro, matado o general com a faca e desaparecido, como em um truque de mágica – disse o jovem investigador da polícia.
- Ou então esta cena do crime foi fabricada – considerou o policial mais experiente.
Mas este não é um romance policial comum. Não é o assassino que nós temos que descobrir quem é.
Este é o sétimo capítulo, aquele em que conhecemos o assassino.
Estou cansado de me esconder. Quanto tempo eles vão demorar para perceber que sou eu atrás da cortina? Quando será que vão reparar os pés? Mas precisava ser feito e eu fiz da melhor maneira que eu pude. Não me resta mais nada a fazer. Preciso continuar vivendo minha vida normalmente, sem levantar qualquer suspeita e com o tempo as pessoas se esquecerão deste crime e se esquecerão de procurar por um culpado. As pessoas vão esquecer.
Edgar tentou dormir mais uma vez e não conseguiu. Foi até a cozinha e tomou um gole de whisky para acalmar. Tomou outro gole. Tomou mais duas doses. Ele respirou fundo e voltou ao quarto. Deitou e dormiu um sono ruim. Falou muito durante o sono e de manhã acordou como se não tivesse descansado.
Neste romance nós conhecemos o assassino. Nós não conhecemos o detetive.
Este é o nono capítulo, aquele em que os policiais recebem a ajuda de um investigador misterioso.
- O senhor vai querer ver isso – disse o jovem investigador da polícia.
Chegou na delegacia uma caixa de papelão. Sem remetente. Não fora enviada pelos correios, mas ninguém percebeu quem a deixara. Quem presta atenção na correspondência? São tantas pessoas entrando e saindo da delegacia de uma cidade movimentada que você para de prestar atenção.
Após um exame cuidadoso os policiais abriram a caixa e dentro havia duas coisas. Uma era uma seringa aparentemente usada. A outra era um bilhete.
O bilhete escrito a mão dizia o seguinte: “Peço desculpa por retirar isto da sua cena do crime. Fiz uma analise aprofundada do conteúdo desta seringa e descobri que se trata de um potente tranquilizante. Acredito que vocês encontrarão uma picada no seu cadaver mais famoso. Acho que isto explica porque ele não gritou nem reagiu e apenas ficou deitado enquanto alguém abria a sua barriga com uma faca. Mais uma vez, me desculpem por tê-la removido da cena do crime. Espero que entendam que eu agi com a melhor das intenções.”
- O que você acha disso? – perguntou o jovem.
- Parece que mais alguém está investigando este caso. Não faço idéia do motivo, nem se isso nos ajuda ou nos atrapalha.
- Acho que ajuda. A não tinha nem visto a marca no corpo.
- Tem razão. Só espero que ele não esteja escondendo mais provas.
E no fim temos a grande revelação e uma chocante surpresa.
Este é o último capítulo, aquele em que o romance se resolve.
E então os policiais voltaram à cena do crime e encontraram com um homem vestindo traje social e blazer claro. De volta à cena do crime estava Edgar.
Ele começou seu discurso e contou à polícia como tudo ocorrera. Ele disse que o general havia sido dopado na sala e então arrastado escada a cima vagarosamente. Já no quarto suas roupas foram trocadas por seu pijama. O general foi colocado na cama e então teve sua barriga perfurada com uma faca do seu próprio faqueiro. Mas quem poderia ter feto isso sem que fosse percebido? Edgar, o vizinho da porta ao lado? Não.
A empregada – disse Edgar. – Ela fez tudo isso no fim do seus expediente anterior. Ela voltou no dia seguinte normalmente e então fingiu que havia descoberto o corpo.
A empregada protestou, mas acabou ficando nervosa e resolveu tentar fugir. Os policiais correram atrás dela, mas no nervosismo ela caiu da escada e bateu com a cabeça. A queda foi fatal.
A empregada morreu uma morte convincente demais. Os policiais ficaram satisfeitos e deram o caso por encerrado. Ela tinha a oportunidade e sabe-se lá quanto ela conseguiu roubar que nunca seria descoberto. O caso estava encerrado para a polícia.
Os policiais agradeceram Edgar, o investigador particular que conseguiu decifrar o assassinato quase perfeito do velho general.






FelipeSantoro
Nigel, eu já tinha adorado quando você tuitou, mas esse post PQP FERA DÁ UMA CHANCE DA GENTE SER GENIAL TAMBEM
Nigel Goodman
Eu realmente achei que ia estragar com o post. Fico feliz que tu curtiu. Escrevi só pq vc e o Doni comentaram os tweets.
guilherme toscano
Você conseguiu me envolver do começo ao fim. Acho que foi o primeiro romance que eu li em uma só sentada. Genial!
Bernardo Zirpoli
Porra, nem vi o tweet, link, pfvr :~~~~
E o texto ficou muito bom, Nigel, vc tb eu te amo
Lucas
Isso. Foi. Brilhante.
Jamais apague, é a prova do copyright, caso surja o Dan Brown na vizinhança.
Lucas
PQP, errei o website. Agora sim.
Nathan
“(…) vc tb eu te amo”.
concorrência pra Clara ??? ^o)
Abraaaço!
Nigel Goodman
hahaha, não não. Clara não tem concorrência não.