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Melhores amigas

Denise e Paula eram melhores amigas. Eram amigas daquelas que contam tudo, que não guardam segredo, como se vivessem uma vida só. Haviam se conhecido no colégio e passado a vida inteira juntas, e era daí que vinha tanta intimidade.

Sempre que algo acontecia uma sempre confortava a outra. Foi assim com o primeiro fora, a primeira bomba na faculdade, a primeira batida de carro, a primeira demissão, a primeira menopausa. Foi assim com tudo que poderia ter sido.

Envelheceram juntas e, apesar das brigas – que existiram, não se engane, e algumas foram até feias -, resolveram passar seus últimos anos vivendo sob o mesmo teto, em um condomínio residencial projetado para a terceira idade.

Um dia Denise chegou em casa da aula de pintura e encontrou Paula chorando.

- O que foi que houve, Paula?

- Minha amiga Denise morreu. Eu acordei do meu cochilo e já tinham levado o corpo dela.

- Que besteira, Paula. Sou eu Denise. Não está me reconhecendo? – Denise já estava acostumada com as confusões da amiga, que não tinha envelhecido tão bem como ela.

Paula balançou a cabeça negativamente.

- Denise estudava comigo no Padre Bernadete, eu reconheço a Denise.

- Mas eu estudei no Padre Bernadete com você, não lembra? A gente matava aula na quadra com os meninos.

- E qual era o nome do menino que a Denise era apaixonada e que tirou a virgindade dela e depois nunca mais quis saber dela de novo?

Denise ficou um pouco chocada com a lembrança repentina da infância, mas foi logo interrompida por Paula que resolveu continuar a frase.

- Eu também não estranho. A Denise nunca teve uma boa higiene pessoal.

- Como assim nunca teve uma boa higiene pessoal?

- Ela era minha amiga, mas fedia. Fedia e era mau caráter.

- O nome dele era Arnaldo! – Disse Denise com convicção, abrindo um sorriso de satisfação, de quem, depois de todos estes anos, consegue arrancar a verdade de uma pessoa falsa.

Paula fez uma cara de espanto. Era mesmo Denise ali parada na sua frente. Ela não podia acreditar.

- Puta que pariu, morri também!

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{ 9 } Comments

  1. Ana ~ | Sunday, 15 November, 2009 at 6:01 pm | Permalink

    Hahahahahahaha
    Será que vou ficar assim também!? i.i´

  2. Biscoito | Sunday, 15 November, 2009 at 9:29 pm | Permalink

    Fiquei esperando que a Paula fosse revelar que nunca havia gostado da Denise. Bem bolado.

  3. Alex | Monday, 16 November, 2009 at 8:23 pm | Permalink

    cara, tomara q vc continue todas essas historias… armandinho ficou mto bom e essas tem potencial para serem melhores

  4. Nigel Goodman | Monday, 16 November, 2009 at 10:49 pm | Permalink

    huahua começa a se cuidar desde agora. Acho que alimentação e exercícios influenciam nisso.

  5. Nigel Goodman | Monday, 16 November, 2009 at 10:51 pm | Permalink

    Heehehe, realmente não ficou inesperado. Estou tentando fazer umas coisas mias pé no chão para ver se consigo mesmo

  6. Nigel Goodman | Tuesday, 17 November, 2009 at 4:28 am | Permalink

    Essas últimas eu não penso em continuar não. Estou tentando me forçar a escrever mais contos – mais curtos e mais normais.

  7. Clara | Wednesday, 18 November, 2009 at 10:35 am | Permalink

    Muito bom!
    A única coisa que me deixou bolada nesse texto foi “perder a virgindade” associado a “lembrança da infância”!

  8. Lucas | Tuesday, 24 November, 2009 at 12:49 am | Permalink

    HAHAHAHA. Meu. DEUS. Isso não é engraçado. Agora eu fiquei bolado que não achei isso estranho. ‘Tamerda.

  9. Lucas | Tuesday, 24 November, 2009 at 1:06 am | Permalink

    So much for “não guardam segredo”, e Alzheimer de velhinha portuguesa FTW.

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