Dec 22 2007
O empresário
Faz algum tempo eu fui conhecer o dono de um bar que queria colocar só shows de humor como entretenimento. É uma idéia que quando você escuta você sabe que é uma idéia legal, alguma coisa como os clubes de comédia americanos. Eu não tinha falado com o cara nem por telefone, mas quem já o conhecia só tinha elogios pro cara. Me falaram que ele também queria ajudar os humoristas a se apresentar fora do rio de janeiro, usando os contatos dele pra conseguir agendar shows por todo o Brasil. Na minha cabeça eu estava indo conhecer um George Shapiro.
Era a noite de estréia do lugar e ia rolar um show desse cara.
A coisa começou a desmoronar na minha cabeça quando eu coloquei um pé lá dentro. O lugar era escroto. Era tanta merda que não tem como falar de todas, mas só pra dar uma idéia: você entrava e dava de cara com uma pia na parede oposta. Somando um balcão você tinha o andar de baixo. Era tão escroto que uma vez algumas pessoas voltaram da porta. Também não tinha nada pra comer lá além de uma mesa de frios, ou seja, presunto e queijo enrolado. Um estabelecimento 5 estrelas.
O show do cara por sua vez combinava perfeitamente com o lugar. Adivinha só, era muito escroto também. Era uma mistura de piadas velhas e sem graça com constrangimento coletivo e uma pitada de vergonha alheia. Primeiro ele me obrigou a subir no palco e dublar uma música sertaneja que fala “quer, quer, quer, quer casar comigo?” como se eu estivesse pedindo a minha namorada em casamento. Insatisfeito por não ter conseguido irritar a minha namorada o suficiente ele resolveu fazer com que eu e um outro comediante carregássemos nossas namoradas em uma espécie de corrida. É claro que nada disso chega perto do que aconteceu depois. No ápice do show o cara (que de agora em diante será chamado de imbecil) some, entra um hino gay, e ele volta pulando, soltando a franga e interagindo com a platéia. Na parte interagindo com a platéia leia-se: fazendo movimentos pélvicos a centímetros do rosto do Ronald em uma simulação de estupro oral. Como o Ronald mesmo falou aquilo lá já tinha extrapolado qualquer limite aceitável em humor com homossexualismo e era apenas homossexualismo agora, ele e alguns amigos dele se apalpando no palco.
Depois do show eu nem me surpreendi, o cara era escroto por conta própria também. O lugar e o show só refletiam a personalidade dele. Sério. Uma das primeiras coisas que ele sugeriu que a gente poderia adicionar para melhorar o nosso show de stand-up foi colocar o Ronald de joelhos em cima de um tênis para fingir que era um anão. Tirando o fato de que isso simplesmente foge completamente do conceito de stand-up comedy, acho que nada no mundo ficaria melhor adicionando um quadro com alguém ajoelhado se fingindo de anão.
Por um pouco mais de 1 mês o ponto cômicos se apresentou lá e eu tive a oportunidade de conviver com esse gênio do humor que aquele imbecil era. Acho que não houve nenhum dia que ele não tivesse feito alguma coisa que fosse digna de ser relembrada em uma roda de amigos. Uma vez ele escovou os dentes na pia da entrada, com a casa aberta e as pessoas conversando. Ele falava com quem estava se apresentando, interrompendo o texto, atrapalhava as piadas. Ele atrapalhava tanto que ele chegou até a desligar todas as luzes durante uma das nossas apresentações.
Não consigo acreditar que alguém pode ser tão escroto assim. Não acredito que ele era um imbecil, ninguém pode ser tão retardado, mas sim um comediante genial que sabia exatamente o que estava fazendo. Ele estava tentando confundir a todos, o público, os comediantes, os funcionários, todos. Eu sinceramente acredito que não conheci o George Shapiro, mas sim o Andy Kaufman.
Posts Relacionados



lol… que idiota…
não vou falar muito porque estou com um pintacilgo no ombro, depois comento direito…
[...] a gente fizesse por lá. Para entender o cara, você também pode ir no blog do Nigel, que fez um post sobre a [...]
A idéia de transformar o Ronald em Ananias não é tão ruim não, hein!
O dono desse local é um gênio, ele é apenas incompreendido. Você verá como o ramo de constrangimento em massa é promissor.
Pô, o Ronald de joelhos não fica parecendo anão. Ele fica tipo do meu tamanho. E pelo menos assim ele não parece alguém que deia jogar basquete.
Bem, faço votos para que o show continue e que vocês venham se apresentar em SP, porque eu tenho preguiça de ponte aérea.
Perdemos um elemento importante no ponto cômicos. Ele era uma espécie de “Russo”, “Tião Macalé” do grupo. O cara que ninguém ria com ele. Só dele.