Oh, a informação!
Oh os tempos modernos! Era do conhecimento e da informação. Todas as pessoas do mundo conectadas intelectualmente por intermédio de seus computadores. Isso não é mágico?
Imagine o cérebro dos jovens, pequenas esponjinhas, que crescem neste ambiente onde tudo tem resposta. Tudo está ao alcance da mão destas crianças. Oh a informação!
A informação agora é disponível. Ninguém mais tem controle sobre a informação. É o relacionamento aberto das mentes, um swing intelectual. O conhecimento está aí e é de todos.
O conhecimento não é mais difundido apenas por aqueles que chafurdam em bibliotecas e se dedicam à vida acadêmica. É o fim da era de professores severos e exigentes. Hoje em dia o conhecimento é democrático, vem de qualquer lugar e de qualquer um.
Passou o tempo em que se investia em enciclopédias renomadas caríssimas. Adeus livros gigantes e pesados acumulando poeira. Hoje em dia a enciclopédia é virtual, é de graça e é feita por todos. Eu aprendo com você, você aprende comigo. Mas é claro que, a essa altura, eu e você não existe mais, somos uma massa de anônimos. Anônimos sedentos por conhecimento.
Somos como a larva que devora o livro. Que livro? Tanto faz. Quem escreveu? Todos escrevemos e ao mesmo tempo ninguém escreveu. É como se sempre estivesse estado lá. O conhecimento estava lá esperando. Somos como a larva, e qual o problema se o livro agora está destruído? Somos como a larva que devora a sombra dos livros.
Temos dúvidas e precisamos de respostas. Precisamos de respostas agora. Não há mais tempo, não há mais tempo para aprender. Precisamos de respostas, quaisquer respostas. Respostas rápidas, com 140 caracteres, e que, a cima de tudo, sejam convincentes, porque eu não quero parecer bobo enquanto eu repito eu sei, eu sei, eu sei.
Imagina o cérebro dos jovens. São esponjas secas desesperadas por conhecimento. Eles precisam saber. Precisam saber. É isso que o mundo espera deles. Eu sei, você sabe, eles precisam saber também. E precisam saber cada vez mais. Não só aquilo que eu sabia ontem, mas aquilo que eu inventei hoje.
Pergunte! Nunca hesite frente uma dúvida. Pergunte. Pergunte qualquer coisa. Pergunte “como faz?”
Vivemos na era do conhecimento. Perguntar é fundamental. Como faz? Como faz? Como faz? E esperamos respostas. Qualquer resposta. Faz assim. Faz assado. Faz de qualquer jeito, porque de qualquer jeito já está bom. Pintura, como faz? É arte se alguém pagar por ela. Música, como faz? Só colocar a franja para o lado.
Mas nunca se esqueça de questionar. Questionar é o mais importante. Nunca concorde com ninguém, deixe que concordem com você. Não que você esteja certo, mas uma dessas pessoas que concordar com você provavelmente vai estar.
Quem disse isso? Você mesmo disse isso. Eu disse isso? Devo ser um idiota.
O importante é que não existe mais tempo para se perder. Você percebeu como esse ano passou mais rápido que o último ano? Acho que já até o próximo final de semana já será 2012. Não temos tempo.
Precisamos nos preparar para o futuro. Não podemos perder tempo com o que já foi. Estamos ocupados criando o que virá. Um futuro brilhante onde desvendaremos todos os enigmas do universo. Para onde nós vamos? Você vai saber quando chegar lá. O importante é quanto tempo falta para chegarmos, e se eles têm wifi.






Felipe Santoro
Muito bom, Nigel. Acho que seria até melhor em alguns aspectos se voltar a época que quem produzia conhecimento era por ter estudado em demasia o estudo. Muita franja pro lado atualmente.
névoa
Genial! Me surpreendi com o texto “sério” mas bom. Às vezes faz falta um desses, especialmente em blogs (a não ser uns de notícias, por exemplo).
E essa questão é parecida com o stress e outras coisas de ambiente ou de tendência; se todo mundo ao redor se sujeita a porra segue assim mesmo, mais gente dentro.
Bernardo Zirpoli
Curto muito seus textos Woody Allen style. abs
Ana ~
Verdade triste essa. Hoje em dia ninguém mais se esforça realmente por algo, porque quase tudo já está praticamente mastigado, só no ponto de engolir.
E quem não acompanhe que se cuide, né? Vai ser engolido pela “nova e brilhante geração”.
Argh!
Lorena
Somos nozes.
Igor Freire
“Para onde nós vamos? Você vai saber quando chegar lá. O importante é quanto tempo falta para chegarmos, e se eles têm wifi.”
épico.
Rangel
Eu não concordo! Achei muito superficial! Deveria haver um estudo mais aprofundado da sociedade contemporânea para se produzir um texto que se pretenda rotulá-la!
Mas se você me mostrar seu diploma de sociologia eu concordo com você!