Nov 13 2009

Melhores amigas

Published by Nigel Goodman under Contos

Denise e Paula eram melhores amigas. Eram amigas daquelas que contam tudo, que não guardam segredo, como se vivessem uma vida só. Haviam se conhecido no colégio e passado a vida inteira juntas, e era daí que vinha tanta intimidade.

Sempre que algo acontecia uma sempre confortava a outra. Foi assim com o primeiro fora, a primeira bomba na faculdade, a primeira batida de carro, a primeira demissão, a primeira menopausa. Foi assim com tudo que poderia ter sido.

Envelheceram juntas e, apesar das brigas – que existiram, não se engane, e algumas foram até feias -, resolveram passar seus últimos anos vivendo sob o mesmo teto, em um condomínio residencial projetado para a terceira idade.

Um dia Denise chegou em casa da aula de pintura e encontrou Paula chorando.

- O que foi que houve, Paula?

- Minha amiga Denise morreu. Eu acordei do meu cochilo e já tinham levado o corpo dela.

- Que besteira, Paula. Sou eu Denise. Não está me reconhecendo? – Denise já estava acostumada com as confusões da amiga, que não tinha envelhecido tão bem como ela.

Paula balançou a cabeça negativamente.

- Denise estudava comigo no Padre Bernadete, eu reconheço a Denise.

- Mas eu estudei no Padre Bernadete com você, não lembra? A gente matava aula na quadra com os meninos.

- E qual era o nome do menino que a Denise era apaixonada e que tirou a virgindade dela e depois nunca mais quis saber dela de novo?

Denise ficou um pouco chocada com a lembrança repentina da infância, mas foi logo interrompida por Paula que resolveu continuar a frase.

- Eu também não estranho. A Denise nunca teve uma boa higiene pessoal.

- Como assim nunca teve uma boa higiene pessoal?

- Ela era minha amiga, mas fedia. Fedia e era mau caráter.

- O nome dele era Arnaldo! – Disse Denise com convicção, abrindo um sorriso de satisfação, de quem, depois de todos estes anos, consegue arrancar a verdade de uma pessoa falsa.

Paula fez uma cara de espanto. Era mesmo Denise ali parada na sua frente. Ela não podia acreditar.

- Puta que pariu, morri também!

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Nov 13 2009

O melhor aluno do pré-vestibular

Published by Nigel Goodman under Contos

Regina se achava a melhor aluna do pré-vestibular e Mauro Sérgio sentava sempre ao lado dela.

Mauro Sérgio não chegava a ser burro, mas também não estava acima da média. O problema é que, sentado assim tão perto de Regina, era sempre considerado burro por comparação.

Um dia Mauro Sérgio se encheu de tudo isso. Passou a noite inteira estudando. Ele adiantou todos os exercícios da próxima aula. Estava com tudo pronto. Fez e refez todos os exercícios de matemática para garantir que estavam corretos. Se empolgou com a idéia e instalou programas de computador para visualizar gráficos e chegou até a ler sobre o tema na internet. Leu até além da sua matéria. Mauro Sérgio havia mergulhado de cabeça na matemática e já estava até sonhando com sua faculdade, seu mestrado, doutorado e pós-doutorado. Ele seria um grande acadêmico.

“Um grande acadêmico!” Mauro Sérgio saboreava a palavra acadêmico e sorria empolgado com o primeiro plano que fazia para o seu futuro. E era um futuro brilhante que ele previa.

Mauro Sérgio ia ser melhor que Regina. Ia com certeza. Tão melhor que deixaria Regina chateada. Ah, Mauro Sérgio queria deixar Regina chateada, como ele queria. Ele queria que Regina engolisse toda a sua arrogância. Ele a faria pagar por todas as vezes que ela o corrigiu na frente de alguém, sem que ele tivesse perguntado nada, só para humilhá-lo.

Regina teria que reconhecer o intelecto superior daquele futuro doutor.

Talvez o seu recém descoberto brilhantismo chegasse até mesmo a impressionar Regina de outras maneiras. Talvez ela se sentisse atraída por um homem tão inteligente e matemático tão promissor. Talvez ela aceitasse sair com ele depois da aula para um suco. Quem sabe marcassem um cinema no final de semana. Regina iria pedir para repetir a dose no dia seguinte, mas Mauro Sérgio diria que precisava estudar, pois a matemática não se aprenderia sozinha.

Cada vez mais Mauro Sérgio se dedicaria à matemática enquanto Regina ficaria obcecada – coitada -, entraria em depressão, perseguiria Mauro Sérgio e imploraria pela sua atenção, não conseguiria mais estudar, nem se concentrar nas aulas. Suas notas começariam a baixar e ela não conseguiria entrar para a faculdade de medicina.

Mauro Sérgio se assustou. Como ele poderia ter prazer em estragar a vida de uma menina tão inocente? Estes não eram os modos de um gênio, este era o modo dos vermes, pessoas de intelecto mediano que teriam uma vida sem resultados e por isso precisavam se agarrar a sua mesquinharia para terem forças para sobreviver.

Mauro Sérgio era um gênio, alguém superior, e por isso não deixaria que Regina estragasse sua vida. Ele lhe incentivaria e lhe cobraria. Quem sabe acabasse cedendo algumas vezes e aceitasse ir ao cinema. Ele programaria sua rotina melhor para encaixar Regina. Isso que ele faria. Assim quem sabe com o tempo parasse de se incomodar com o tempo perdido, se acostumasse à companhia dela. Quem sabe ele até passasse a gostar dela?

Ele teria filhos com ela e ensinaria matemática a eles. Desde cedo os garotos seriam educados e se tornariam adultos fabulosos. Trariam avanços às ciências e fariam grandes descobertas em suas áreas.

O futuro que Mauro Sérgio imaginava era mesmo brilhante.

Ele acordou cedo no dia seguinte e correu para o pré-vestibular. Correu com prazer pela primeira vez na sua vida. Com prazer, pois não seria apenas mais um ignorante, ele agora seria um gênio da matemática. No caminho foi ensaiando o que pretendia falar para Regina. Pensou em se oferecer como monitor para um grupo de amigos. Seus olhos brilhavam.

Mauro Sérgio nunca havia se sentido daquela forma. Ele ainda tinha muito que aprender, muitas fórmulas para estudar, mas, principalmente, precisava decorar quando eram os feriados municipais.

Com raiva e frustrado, o maior matemático que nunca chegou a ser um matemático desistiu da matemática.

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Nov 11 2009

Blackout

Published by Nigel Goodman under textos

As vezes a gente assiste tanto filme e joga tanto vídeo game que a vida real perde um pouco a graça.

Juro que senti um pouco de decepção quando ouvi no rádio um cara explicando os motivos do apagão de ontem.

Quando as luzes apagaram eu estava no centro da cidade, que é o grande centro comercial do Rio de Janeiro com grandes prédios comerciais. Ver tudo aquilo apagado foi bem bacana. Ainda mais porque não estava totalmente apagado, existiam algumas luzes aqui e ali para dar um clima. Era uma vibe meio futuro apocalíptico.

Não via a hora de começar a saquear tudo aquilo. Juntar alguns amigos e sair por aí dirigindo aproveitando o caos do trânsito para aterrorizar famílias assustadas que tentavam voltar para casa. Um pouco de ultraviolência seria divertido.

E qual seria o motivo para tudo aquilo? Invasão alienígena? Ou quem sabe alguma guerra, um ataque estrangeiro, ou um atentado terrorista, alguma manifestação mais violenta? Quanto tempo ficaríamos sem luz? Dias, meses, anos? Vivendo no escuro, tentando sobreviver à violência noturna.

Seria o maximo.

Aí, enquanto via a  luz voltando escutava um cara dizer no rádio que tinha acontecido qualquer coisa com o fornecimento, mas tudo já estava se normalizando.

Sem graça.

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Nov 09 2009

Esquetes para fantoches

Published by Nigel Goodman under textos

Depois do incrível sucesso de “Artista“, uma esquete sobre vencer preconceitos e seguir seus instintos, eu preparei mais algumas esquetes para serem interpretadas por fantoches, marionetes, ou você e seus amigos do condomínio, claro.

Menino – É verdade que o senhor está fazendo sexo com a minha mãe?

Homem – … Nesse momento eu não estou

Homem 1 – Se eu fosse um ninja você estaria morto agora.

Homem 2 – Se você fosse um ninja a gente não tinha perdido o ônibus.

Homem 1 (emocionado) – Você ama o seu filho?

Homem 2 (emocionado) – Amo sim senhor.

Homem 1 – O senhor está preso.

Índio – Você já tomou banho de cachoeira?

Homem – Já.

Índio – Eu fiz xixi na água.

Rapaz 1 – To cansado de tudo isso.

Rapaz 2 – Não se mata cara.

Rapaz 1 – Eu não vou me matar.

Rapaz 2 – Ainda não.

Rapaz 1 faz cara de assustado.

Apostador 1 – Sai 6 no dado. 6 no dado porra!!

Apostador 2 – 6!!!

Apostador 1 – Porque jogar um contra o outro se somos amigos?

Apostador 2 – Usando só um peão todos sempre ganham.

Pai 1 – O seu filho cuspiu no olho do meu filho.

Pai 2 – Aquele não é o seu filho. Aquilo é uma pedra.

Pai 1 – Vai lá e pega o seu filho pelo braço.

Pai 2 – Aquele também não é meu filho, aquele é um mendigo.

Pai 1 – Qual o nome dele?

Pai 2 – Não sei.

Pai 1 – Você ama o seu filho?

Pai 2 – Ele não é meu filho.

Pai 1 e Pai 2 se encaram. Pai 2 deixa escapar um sorriso

Pai 1 – O senhor está preso.

Homem 1 – Tu gosta de sorvete?

Homem 2 – Gosto

Homem 1 – Muito interessante.

Detetive – Eu já descobri quem matou a vítima.

Assassino – Fui eu!

Detetive – Ei, esse era o meu grande momento.

Assassino – Bwahaha

Assassino sai correndo por uma porta aberta.

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Nov 06 2009

Stand Up no Alma Carioca

Published by Nigel Goodman under stand up

Para o pessoal do Rio – ou de outros lugares, mas que tenha como vir pro Rio -, o Louco é Pouco, meu grupo de stand-up vai estrear em casa nova nessa terça.

O show é sempre glorioso, quem já viu sabe do que eu estou falando. A gente distribui amor e casamento de cima do palco.

Show bom, bar bom. Coisa fina. Vejo vocês lá.

Louco é Pouco no Alma Carioca

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Nov 06 2009

Falando de skate

Published by Nigel Goodman under Geral

A quem interessar possa – acho essa frase tão bizarra que adoro usá-la – estou escrevendo em um blog sobre skate com a Ana e a Gabi.

O blog é totalmente diferente de qualquer blog de skate. É um blog de skate feito por pessoas que não sabem andar nada. Por não sabermos andar, ficamos num papo bem humorado de quem está aprendendo a andar junto e descobrindo essa coisa toda.

É um blog de skate para quem não anda de skate, mas acha bacaninha, ou então pra quem curte a gente e acha que vai ser engraçado ler sobre nossos tombos.

Prometemos fotos e vídeos.

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Nov 03 2009

200 leitores no feed

Published by Nigel Goodman under Geral

Hoje o blog bateu a marca de 200 leitores do feed. Fico feliz que isso tenha acontecido logo depois de ter postado um esquete para fantoches. Achei bacana. Mostra que vocês estão curtindo.

Mas estão curtindo o que?

Eu queria fazer uma página com o link para os melhores posts do blog. Posts que seriam legais de mostrar para quem está entrando pela primeira vez. Já tem barra com as categorias, e o histórico, mas mesmo assim… Quem é que quer perder tanto tempo garimpando o histórico?

Mas mais legal do que uma lista com o que eu acho que é bom seria uma lista com o que vocês acham bom.

Então, quais são os posts que você mais gostou?

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Nov 02 2009

Artista

Published by Nigel Goodman under textos

O esquete a seguir foi feito para ser interpretado por bonecos de meia, fantoches, ou você e seus amigos do condomínio.

filho (off) – Mãe, terminei. Me limpa.

mãe – Usa o bidê que eu to vendo a novela.

pai – Assim o garoto vai virar homossexual Rosana.

Filho (off) – Mãe eu consigo encher meu bumbum de água e esguichar longe

Mãe – Nosso filho vai ser artista Nelson.

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Oct 30 2009

Fernando e Fábio – Posto de Gasolina

Published by Nigel Goodman under Fernando e Fábio

Já haviam se passado duas horas desde que Fernando e Fábio mataram os policiais.

- Quanto tempo falta para a gente chegar? – Já era a milésima vez que Fernando perguntava isso.

- Falta pouco.

De repente passou pela cabeça de Fernando que ele não fazia a menor idéia de para onde eles estavam indo.

- Para onde a gente está indo, Fábio?

- Hum… Para uma festa no interior. Vai ter show de rock.

- Nunca fui em um show de rock.

Fernando sentou no banco de trás e ficou quieto por mais alguns minutos.

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Oct 29 2009

Violão

Published by Nigel Goodman under Dia a dia

Eu tinha prometido algumas fotos do meu violão no último post. Aqui estão elas.

Na realidade eu nem toco direito. Fifitififiti só. Dá pra EU me divertir com uns sites de cifras. Ênfase no eu.

091028-235031

Sim. É um Patrick caminhando heroicamente para fora do fogo. E um smile no canto de cima.

091028-235125

091028-235136

091028-235156

A faca que corta o bolo na mão de um marginal assalta e mata o trabalhador. Quando sai a próxima edição do RB?

091028-235205

Uma breve instrução de como usar as cordas.

091028-235248

Music Fail! Enfase no EU me divirto tocando. Um Gary para completar.

091028-235312

A foto não ficou boa, mas era para parecer uma mulher mordendo o dedo… Ênfase nos adesivos.

091028-235220

Nigel Goodman sou eu. Na época que tinha o cabelo maior.

091028-235324

A lendária espada Iscalibu… Ênfase no Bob Esponja.

Muitos Bob Esponjas? Que tal mais?

091028-235234

Em baixo do meu autorretrato.

Tem mais alguns adesivos, ou de smiles ou da turma do bob, que ficaram faltando.

Deixei alguns espaços para serem preenchidos no futuro por outros adesivos do Bob Esponja ou outros desenhos… Quando bater a vontade ou eu disser alguma coisa marcante no RB.

Cara. O que vocês querem para o próximo post? Primeiro comentário escolhe. Não que vá parar de ter posts sobre o meu umbigo, mas já são muitos seguidos.

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