Politicamente Incorreto
Andam fortes esses papos de censura ultimamente. É a batalha da liberdade de expressão contra alguns insatisfeitos defensores do politicamente correto que querem calar o humor. É isso que vocês vão ouvir por aí. Gente que quer criticar sem entender, que não tem mente aberta pra compreender o humor.
E essas pessoas estão certas.
Eu vou mais além e digo que não existe censura nenhuma, mas vamos com uma coisa de cada vez.
Primeiro vamos falar do politicamente incorreto e do humor negro. Vamos reparar como se estivéssemos na escola, fazendo um círculo ao redor da palavra incorreto e negro. Vou dar um segundo para vocês pensarem sozinhos.
Enquanto você pensa sobre “incorreto” e “negro”, vamos discutir sobre as pessoas que não tem mente aberta para compreender o humor e apreciar a beleza da liberdade de expressão. E elas precisam ter? É o trabalho do humorista ser engraçado e não um direito dele. E é bom que ele seja, porque as pessoas estão pagando pra ver o show. Não é pra ser um esforço da platéia apreciar o humor e não tem nada de errado em não gostar de certos comediantes e de certos tópicos. É uma questão de gosto e você tem o direito de ter o seu.
Acho que você já teve bastante tempo de pensar, então vamos voltar ao politicamente incorreto e ao humor negro.
Vou falar algo bem obvio, mas aguentem um pouco.
Politicamente incorreto não é um termo que se usa para descrever algo politicamente correto. Não é de jeito nenhum. E se não é algo correto – eu vou continuar sendo óbvio, mas nessa parte algumas pessoas se perdem – é bastante provável que algumas pessoas não vão gostar de ouvir.
Por algum motivo muita gente não está entendendo essa relação de causa e efeito, mas, se você fala algo que algumas pessoas não querem ouvir, é provável que algumas pessoas não queiram ouvir e essa gente não tem a obrigação de ouvir e de gostar.
Por que essas pessoas teriam que gostar? Porque o humor tem essa pretensão de ser um ápice da liberdade de expressão e tudo vale e tudo é livre diriam algumas pessoas, mas infelizmente as coisas não funcionam assim. As pessoas riem daquilo que é engraçado.
Mas isso não tira o direito de ninguém de fazer qualquer tipo de piada e quem me conhece sabe que eu sou o primeiro a falar de AIDS e síndrome de down. A diferença é que eu entendo que algumas pessoas não gostem. É um risco que eu aceito.
Mas você continua achando que as pessoas têm que ser capazes de rir delas mesmas, não é? Então você é idiota. As pessoas não têm que fazer nada que elas não querem pra agradar você e suas teorias. E para falar a verdade, muitas pessoas que criticam algumas piadas provavelmente seriam capazes de rir de si mesmas se as piadas tivessem sido escritas com algum outro cuidado além de ser incorreta ou ser sobre tabu.
Resumindo, você pode fazer piadas sobre tragédias se você quiser e se você for muito bom é provável que até as vítimas da tragédia achem graça, mas é mais provável que elas não achem.
E isso é tudo levando em consideração que a piada seja realmente boa, coisa que ela não é.







Lucas
Me fez rever certos conceitos da correção política, relativizar um pouco as coisas… Eu sou um dos politicamente incorretos all the way, sabe.
Insisto, porém, que a atitude correta é um câncer, justamente porque os corretos é que tentam impor o jeito deles de pensar aos incorretos, mais do que vice-versa. A imposição de opinião vem dos dois lados.
E acho a pretensão que você citou correta: tudo vale mesmo, quem não gostar que não ouça. Não se pode blindar nenhum assunto, tudo tem que ser transformável em piada.
P. S. 1: propaganda subliminar da Skol detectada.
P. S. 2: infelizmente a comunidade científica está perto de encontrar a cura da AIDS, o que diminuirá consideravelmente a potência do humor sobre a mesma.
P. S. 3: pequeno jabá duma postagem minha recente relacionada à pauta.