Quem não acompanha os shows do Louco é Pouco tem perdido grandes apresentações… Fora os shows que eu tenho feito como convidado ou substituto de última hora. Tenho tido ótimas apresentações este ano. Ótimas apresentações, mas na de ontem eu confesso que perdi a linha.
Vocês têm que entender que fazer comédia stand up em bar é muito diferente que em teatro. Em bar a platéia é muito mais selvagem, tem uma porrada de bêbado, e se você não estiver agradando a platéia simplesmente não vai te respeitar. É normal que pessoas gritem qualquer coisa enquanto você fala ou interajam em alguns momentos. Stand up tem essa coisa de parecer uma conversa e por isso as vezes alguém acaba querendo participar como se de fato fosse uma conversa.
Ontem eu acabei dando um mole. Fui fazer umas piadas sobre ginecologistas e pedofilia – eu sei, é pesado, é terrível e não tem chance de dar certo, mas mesmo assim eu faço – e quando eu terminei a primeira piada nesse tema uma voz de mulher vindo do fundo do bar gritou:
- Horrível!
Parei por alguns segundos e respondi no mesmo tom:
- Foda-se
A platéia aplaudiu na hora e começou o circo.
A regra é não dar corda para os bêbados porque depois que você reconhece a existência de um deles eles não param mais.
A mulher começou a repetir “horrível” e eu no início ainda tentei lembrar ela que eu tinha um microfone, mas a vontade de falar merda falou mais alto.
- Essa mulher é tão fodida que se ela fica de quatro na minha frente eu tomo distância e pulo por cima dela. – Nessa hora a platéia aplaudiu mais que qualquer outra hora do show.
Depois disso a coisa foi descendo a ladeira. Não sei bem a hora de parar nessas coisas. Continuei xingando a mulher por mais alguns minutos e tive que terminar depois de ter mencionado que a mãe dela teria um abacaxi enfiado na buceta. Essa do abacaxi realmente foi podre.
Eu tive que prometer que nunca mais ia discutir com ninguém da platéia, e provavelmente nunca mais faça piadas sobre pedofilia.
O bom humor está vivo, armado com uma garrafa quebrada e ele vem pra te pegar. Viva o stand up.