Tesouros e armadilhas
O mundo já foi mais divertido. Sério. Acho que em algum momento no meio desses anos todos que se passaram, a gente passou a se preocupar muito com coisas que podem facilitar as nossas vidas e deixou de lado coisas completamente desnecessárias, mas que davam graça à coisa.
Vou direto ao assunto. Quando foi a última vez que você enterrou um tesouro? Você provavelmente não tem tanto dinheiro assim, eu entendo, mas quando foi a última vez que qualquer pessoa enterrou um tesouro?
E eu não estou falando em enterrar por enterrar. Enterrar por enterrar qualquer cachorro enterra. Estou falando em enterrar um tesouro e depois desenhar um mapa para que seus descendentes possam desenterrá-lo.
Muitos de nós vamos passar a vida inteira sem conhecer um verdadeiro mapa de tesouro. Nunca vamos ter a oportunidade de conhecer um homem misterioso em um bar e, entre uma cerveja e outra, descobrir que ele encontrou um mapa de tesouro.
Qual a graça de um GPS, sério? Em quantas aventuras você se meteu com um GPS?
E as charadas e enigmas? Por que ninguém mais tem a arrogância de se achar tão esperto que é capaz de criar um poema que facilmente substitui um mapa? Hoje em dia nós usamos o nome de solteira da mãe como lembrete de senha.
Imagina como seria mil vezes mais legal ir até um churrasco na casa de praia de um amigo seguindo direções enigmáticas. “Onde descansa o vento e o sol se divide, vire à direita e siga por mais 5 km.” “No centro do olho do dragão é um bom lugar para esticar as pernas e ir ao banheiro.” Você se diverte no churrasco e no caminho também. Só a volta que continua sendo chata.
Agora vem o mais importante. Digamos que você já escolheu um lugar para o seu tesouro, e fez um mapa enigmático para não facilitar tanto as coisas. O que está faltando são as armadilhas. Milhões e milhões de crianças se matriculando em cursos de arqueologia todos os dias, mas do que adianta se ninguém mais coloca uma bola gigante para correr atrás de você?
O que protege o seu dinheiro no banco hoje em dia? Uma porta giratória. Não tenho nada contra os guardas, mas acho que seria muito mais tranquilo para eles se eles tivessem o apoio de um espeto ou de um buraco sem fundo.
A questão é que, no futuro, quando nós já não estivermos mais aqui, seja por causa de um meteoro, ondas gigantescas, guerras nucleares, ou seja lá o que for, a nova civilização que estiver reconstruindo o mundo terá tudo de mãos beijadas. Todos os tesouros do nosso tempo estão largados por aí. Imagina que chato será o ducktales da geração dessas pessoas.






Natalia Weber
Adorei o texto, concordo com tudo só que… bom, um GPS já sim me meteu em várias, inúmeras e incontáveis armadilhas! hauhauahua não sabia dirigir ainda muito bem e tava fazendo intercâmbio, achava que o GPS ia me salvar. Que nada! O Google Maps era muito mais confiável, mas só se eu estivesse acompanhada de um co-piloto competente, o que não significava minha amiga que cismava em levar um DVD portátil pra ficar vendo show do RBD (cara, nem pergunta… já tentei de tudo co ela, até exorcismo!), o que nos leva a outra confusão… Enfim, experiementa a bela experiência de ter um GPS estrangeiro te pedindo pra fazer retorno numa rua que não existe, aí sim é uma grande aventura… hehehe fica na paz!
Nigel Goodman
Sensacional. Uma vez eu fui pra uma cidade aqui perto e como não conhecia nada levei um mapa do googlemaps impresso. Tudo muito bom até o mapa mandar eu entrar em uma rua na contra mão. Sai da rota, do mapa, dei umas voltas meio chutando esquerda direita, e parei pra pedir informação na frente do endereço certo. Cagada absurda.
Igor Freire
Adorei o texto, concordo com tudo só que… bom, um GPS já sim me meteu em várias, inúmeras e incontáveis armadilhas![2]
Porra, logo no dia que saiu minha carteira… ia sair pro bar com uns amigos, daí ia passar na casa de um amigo que tava com o pé quebrado pra dar carona pra ele… dai fui lá todo meninão, peguei o GPS do meu pai e saí, era bem simples de chegar na casa dele, eu só não tinha certeza na rua que eu ia entrar. O GPS deu maior volta por umas ruas paralelas, dai aconteceu a mesma coisa: mandou eu entrar numa rua contra-mão, daí estacionei o carro porcamente num banco que tinha lá, liguei pro meu amigo e ele disse que ia me esperar num local mais facil HAHAHA. desliguei o GPS e nunca mais usei
Phernando
Eu estava conversando justamente isso com um amigo outro dia. Antigamente, as passarelas das estações de trem eram feitas com corda e madeira podre. Sempre que a gente atravessava, a corda arrebentava e nós ficávamos pendurados, olhando lá pra baixo, onde os trens passavam em cima de trilhos cobertos com muita lava e jacarés de titânio olhavam, famintos, para nós. E olha que a gente nem andava de trem… era só pra comprar bala com o tiozinho da barraca de doces que ficava do outro lado.
Era perigoso, tá, ok, mas era legal! Saudade da década de 80…